BLOG DO FÁ SAMORI

As experiências, sensações e aventuras de alguém que saiu do Brasil para experimentar o mundo.

30

de
setembro

Big Plans

Bem meus amigos e leitores hoje chegou a hora de falar para vocês algo que tenho certeza que será um dos maiores passos que já dei em minha vida. Tenho um motivo especial para isso, pois o veículo capaz de me transportar nesse sonho, nessa aventura e nesse “doutorado” chegou hoje.
Minha nova bicicleta está aqui olhando para mim. Não vou entrar no mérito da bicicleta propriamente dita, pois isso será assunto de um outro blog que comecei a escrever e vai tratar aprofundadamente desse assunto.
É engraçado para mim, pois me faltam palavras para dizer o que quero. Faltam, por um lado, porque para muitos leitores que eventualmente não me conhecem, isso poderá não significar grande coisa. Fico com receio de super especular algo que é importantíssimo para mim, mas que mesmo para quem me conhece, não trará muita coisa.
O fato é que depois de muito planejarmos, muito conversarmos e divagarmos sobre o que faríamos enquanto a Ju estivesse fazendo seu doutorado, chegamos a conclusão que passaremos esse tempo (o do doutorado dela) morando em locais diferentes. Ela optou por um curso que acontecerá em três países diferentes: Reino Unido, Alemanha e França. Seria muito difícil, por mais que me expresse bem, conseguir emprego nos dois últimos países, pois não falo “bulhufas” de ambos os idiomas. Também não me agrada muito o fato de ficar sem trabalhar ou sem fazer outra coisa e vivendo na aba da minha esposa por tanto tempo. Nada de machismo aí pessoal, porém, acredito (aliás tenho certeza) que se fosse o contrário a opinião da Ju seria exatamente a mesma que a minha.
Assim quando a Ju for partir para o doutorado dela, vou partir para o meu: vou sair da Escócia e seguir para o Brasil de bicicleta.
Ah sim, tem o Oceano Atlântico para atravessar? Errado, vou atravessar o Pacífico, do Japão para o Alasca. Ou seja, vou fazer o caminho pelo “lado contrário”. Os detalhes dessa viagem estarão no blog http://ciclonavegando.blogspot.com e qualquer um poderá acompanhar tudo, desde toda essa fase de planejamento até a hora de estar com o pé na estrada mesmo.
Uau falei! Que alívio publicar isso. Vocês nem imaginam. Gostaria de falar antes, mas há uma série de fatores a se levar em conta quando se fala de algo assim, principalmente para a família. Bom, agora é com você para acompanhar além desse o outro blog, que agora no começo está contando sobre como comecei o cicloturismo e logo mais vai começar a detalhar os preparativos da grande viagem. Você é meu convidado para me acompanhar… pedalando, inclusive. Sinta-se a vontade.

30

de
setembro

Nova Casa, Velhos Hábitos

É bom estar em casa nova. De fato, de fato o apartamento não é novo. É realmente bastante antigo, como a maioria das construções por aqui. Mas casa velha por casa velha, nossa casinha no Brasil tem já lá seus 70 aninhos.
Mudamos há cerca de duas semanas e fizemos um acordo com o dono: um desconto mensal no aluguel em troca de uma limpeza, pintura nova e uma pequena melhoria no piso de madeira. Valeu a pena, mas cansou.
Prá começar, não consegui entender como uma pessoa (o apê era habitado por uma garota japonesa) pode viver em condições de sujeira como as que encontramos aqui. Achamos de dinheiro a camisinha usada no chão. O microondas era forrado de molho curry. E Por aí vai.
No setor de manutenção predial, a antiga moradora usou bom-bril para fechar cada vãozinho existente entre o assoalho e os rodapés. Não entendi o porquê disso. Pavoroso. Longos pedaços de silver tape cobriam largas frestas no assoalho (que havia sido removido e recolocado anteriormente para a instalação de um novo sistema de aquecimento).
Usamos uma semana de folga no trabalho para limpar, pintar e colocar tudo em ordem e fazer tudo direito. Valeu.
Porém, a gente nota que mesmo estando a distância que for de nossa terra, mesmo tendo opções diferentes de fazer as coisas, mesmo tendo contato e aprendido coisas que nunca imaginávamos, nossas manias, nossos gostos permanecem. Nosso novo apezinho tem as mesmas cores (quase) que nossa casa brasileira (fomos perceber isso depois de terminado). Nosso hábitos na cozinha, nos nossos afazeres em casa são idênticos aos de antes. Tudo permanece igual em nosso próprio mundo. Não interessa se o mundo em que você está mudou ou é completamente diferente de antes. Interessante…

30

de
setembro

Olá Querido Blog

Olá meu querido blog, quanto tempo.

Faz realmente bastante tempo desde o último post. Não que não tenha tido inspirações, mas eles têm vindo e ido de uma forma mais rápida. Acho que se tornaram mais voláteis talvez. Nada de mal, apenas esse simples fato.
Talvez meus planejamentos, nossos planejamentos por aqui é que tenham afetado também a baixa freqüência dos meus textos… Mas sem lamúrias.
Estamos com algumas novidades. A mais importante delas talvez seja que mudamos de apartamento. Saímos daquele que era na verdade uma kitchinete e viemos para um apartamento (flat como são chamados aqui) propriamente dito. Pequeno, mas ainda assim um apartamento, com sala, quarto, banheiro e cozinha. Estamos muito confortáveis e felizes por aqui, nessa nova casinha.
Dei uma relaxada. Peguei uns conselhos de muitos e entrei num estado de paz de espírito muito mais interessante que o eterno conflito que estava sempre em minha cabeça “esse trabalho é pouco para mim”; “e depois disso tudo o que faremos?”; “não estou sendo reconhecido pela minha formação e capacidade.” E baboseiras desse tipo. Sim sempre é bom nos questionarmos, porém, quando nossas metas, nossa vida é regida por questões que lhe deixam inquieto, paz de espírito é a última coisa que terá. E vai ser cansativo, pode apostar.
Relaxei. Acordei e vi que estamos na Europa. Que se ficar pensando nessas coisinhas não viverei meu momento e ficarei esperando pelo futuro. Temos muito o que conhecer por aqui, muito o que experimentar. Precisamos do trabalho para ter dinheiro para fazer o que queremos… mas no fim das contas é um bom emprego. Não é mole, mas dá prá tirar de letra.
Comecei a voluntariar em um dos meus dois dias de folga. Apenas por algumas horas. Meu trabalho voluntário é com algo que realmente me empolga, com bicicletas. Bike Station é o nome dessa ONG, que (acho que já comentei por aqui, mas em todo o caso) recebe bicicletas usadas (doações), as desmonta e utiliza as boas peças na montagem de outras bicicletas. As bicicletas montadas são vendidas todos os sábados, quando há fila de gente na porta esperando abrir. Além disso a Bike Station promove cursos de mecânica de bicicleta gratuito para jovens. Esse curso é dado na própria ONG e os jovens montam uma bicicleta inteirinha desde o zero. Detalhe, cada um monta a sua, e ao final do curso ficam com as bicicletas, que são zero quilômetro e compradas pela Bike Station financiadas pelo fundo de loterias do Reino Unido. Entrei em contato com a ONG por outra atividade que acontece por lá, que é chamada de Conserte sua Própria Bike, na qual todas as quartas-feiras você aluga uma bancada, um cavalete para por a bike e ferramentas, por 3 pounds a hora e concerta, limpa, enfim, faz o que quer fazer com a sua própria bicicleta.
Meu trabalho tem sido desmontar as bicicletas que chegam e separar as boas peças e as peças que são encaminhadas para reciclagem. Às vezes é meio triste – exagerando um pouco – pois desmonto bicicletas lindas, muitas antigas, porém, enferrujadas e sem chances de terem suas partes compradas por alguém (sim lá também se vendem peças usadas).
Tenho aprendido um pouco mais sobre mecânica de bikes e visto muita coisa que não existe no Brasil. Tem sido uma higiene mental excelente.
Outra coisa que tem feito bem é estar morando um pouco mais longe do trabalho, agora 1,7km. É bastante se comparado à distância que percorria antes (menos de 100m) e me faz ver um pouco de cidade, de gente.
Tenho reparado mais na temperatura que já começa a cair, na implacabilidade das estações do ano bem marcadas com as árvores já perdendo suas folhas após uma semana de outono, na beleza dos prédios, na educação dos motoristas na simpatia das pessoas.
Edimburgo tem sido mais a minha casa agora.

30

de
setembro

Amigo Primo Amigo

Pois é… já havia dito que é bom ter e ler os comentários aqui no blog. Foi de um desses que veio uma das sacadas mais geniais que tive contato em algum tempo. Calma, não é uma invenção revolucionária. Não é algo capaz de mudar a vida de ninguém (exceto, talvez a minha). Foi apenas um pensamento, uma opinião, que deve modificar profundamente como tenho vivido e enxergado as coisas por aqui.
Alexandre Samori é meu primo. Sempre nos demos muito bem. Na infância fomos muito próximos e todas as férias escolares íamos passar semanas na casa um do outro. Compartilhávamos muitas coisas e idéias. Éramos crianças e gostávamos de brincar andando de bicicleta, brincando com nossos carrinhos de autorama, inventando coisas para fazer. “Nossas casas” eram muito diferentes, o que aumentava o interesse um do outro em ir para a casa do primo: os pais dele, meus tios, trabalhavam fora o dia todo. Ficávamos sozinhos e fazíamos o que queríamos em sua casa em São Bernardo. Na minha casa a coisa era diferente. Não era “menos boa”, mas tínhamos sempre minha mãe por perto, o que as vezes facilitava uma ida ao cinema ou coisa parecida.
Na adolescência acabamos nos afastando um pouco. Durante a época que fizemos faculdade, muito. Ele veio morar no Reino Unido depois de sua faculdade e depois disso passamos alguns anos nos encontrando apenas no natal.
Acho que foi de dois anos para cá que voltamos a nos aproximar. Não sei realmente qual o motivo, mas foi algo muito bom de ter acontecido. Hoje quem está no Reino Unido sou eu, porém sinto meu primo muito mais próximo de mim que antes. Talvez quase como nos tempos de criança, infelizmente sem os carrinhos de autorama, que nos divertiram tanto e marcaram aquele período. Felizmente, porém, uma proximidade capaz de dar força, trocar opiniões e experiências e mais do que isso, (re)conhecer um Amigo que, sem saber. sentia muita falta.
O que ele disse? Bem, fica à vontade para ler os comentários aqui do blog e aproveita e comenta você também!

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