BLOG DO FÁ SAMORI

As experiências, sensações e aventuras de alguém que saiu do Brasil para experimentar o mundo.

11

de
agosto

Putaqueopariu!

Putaqueopariu!
Assim, mesmo, tudo junto, sem ponto, sem pausa para respirar. Só assim para desabafar. Chagamos agora do cinema. Primeira vez em um cinema em um ano e meio. O motivo do palavrão tem nome: Tropa de Elite, com o título por aqui de Elite Squad.
Como se não bastasse convidamos um casal de amigos, ele canadense, ela daqui da cidade, para irem assistir a um filme brasileiro. Que filme!
Adverti-os antes de comprar os tíquetes que foi um filme muito comentado no Brasil, mas que havíamos perdido a chance de assisti-lo nos cinemas por aí. Disse que era um filme político, explicitando alguns problemas da polícia no Rio de Janeiro.
Saímos os quatro chocados da pequena sala de cinema próximo de nossa casa. Pior que isso, sem a mínima chance de contextualizar o filme de uma maneira mais profunda, tantos os aspectos que o filme aborda envolvidos sob um mesmo tema.
O palavrão não é negativo, porém, não é positivo. Pelo contrário do que possa estar parecendo, a Ju e eu adoramos o filme. Muita violência, sem nenhuma dúvida, mas muito real também. E essa é a parte que nos angustia.
Viver aqui há um ano e meio nos deixou muito distantes – por mais que nos informemos sobre ou por mais que amemos nosso país – dos problemas vividos por aí, da realidade nua e crua.
Foi um choque assistir ao filme. Porém, lembro-me que também foi um choque assistir à Cidade de Deus, sendo que naquela época nem imaginávamos sair do país. O que passou, ou melhor, o que está se passando, no entanto, é perceber que esses problemas, como os retratados no filme, são tão intensos e tão intrínsecos em nossa sociedade, que é realmente difícil enxergar uma saída. É inimaginável para uma pessoa daqui algumas situações vividas pelos personagens do filme, por exemplo. Não por serem ignorantes ou alheios aos problemas do “terceiro mundo”, mas o que realmente acontece é que situações como aquelas não fazem, nunca fizeram e nunca farão parte da realidade da vida por aqui. Simplesmente o que não se conhece, o cérebro humano é incapaz de compreender num primeiro momento. Tente explicar a um estrangeiro de “primeiro mundo” o que é uma favela. Eles não entendem o porquê das pessoas viverem daquela forma. E continuam sem entender, mesmo depois de você tentar explicar porque aquelas pessoas estão ali, porque não saem, porque não saneiam, porque não constroem, porque não exigem do governo um auxílio maior, porque não reivindicam seus direitos como cidadãos, porque não expulsam os traficantes da comunidade e/ou os denunciam à polícia. Percebam que cada item de dúvida gera uma série de outros itens muito difíceis de serem explicados em uma conversa. Acredito que deveria existir um curso universitário com o tema “Problemas Brasileiros” e talvez em quatro anos fosse possível dar uma pequena noção do que acontece no Brasil.
É triste por um lado ver e saber que a realidade em certos locais de nosso país é exatamente como a encenada no Tropa de Elite. É frustrante por outro perceber que é difícil, quase impossível, modificar alguma coisa em nossa terra. É agonizante pensar que enquanto estamos aqui fora, vivendo uma realidade absurdamente diferente da realidade brasileira, não estamos contribuindo nem com o mínimo para que alguma coisa seja resolvida.
Senti-me um tanto quanto egoísta por estar aqui preocupado com meus planos, com meu trabalhinho, com a mudança para um flat maior, com a compra de mais uma bicicleta, com meus treinos preparatórios para uma competição para vencer os meus próprios limites, enfim, preocupado com coisas que as pessoas realmente deveriam se preocupar – se não fossem brasileiras (?) – que é buscar a sua felicidade, mas que parece algo tão pequeno frente a tanta coisa errada que acontece no lugar onde nascemos e onde queremos morrer.

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3 Comentários »

  1. Comentário por Fabi — 12 de agosto de 2008 (14:33)

    Eu tb gostei bastante do filme. É uma triste realidade, mas, é a Nossa realidade…tem tudo são flores, infelizmente…
    Bjs!

  2. Comentário por Dé — 12 de agosto de 2008 (19:22)

    Oi, Fá:
    Que bom voltar a ler suas palavras. Inclusive, adorei o título desse último post!
    É isso, aí. Lembra qdo vcs estiveram aqui e comentei sobre o quanto esse filme mobilizou as pessoas?
    Pois é, o que vcs sentiram, imagine, a massa da população brasileira, em peso, tb sentiu. Talvez mais de perto…
    E o que é pior (ou melhor pensando que minimamente há uma organização, mesmo que seja do poder paralelo): a grande massa assistiu ao filme num DVD pirata! Piratão! Tente explicar isso pros gringos daí também! Um dos problemas tão ruins do nosso país quanto todos aqueles mostrados cruamente no filme.

    Beijos, irmão, to com saudades!

  3. Comentário por Ale — 12 de agosto de 2008 (22:40)

    Fala Primo!
    Bom falar com vc hoje, fazia um tempão!
    O filme é realmente muito bom, fico feliz que estejamos produzindo bons filmes atualmente, e com histórias tão reais e tão bem contadas. Quanto as “saudades” dos posts que eu não tinha lido, é isso mesmo primo… aqui é ruim… mas é bom…
    quando vc voltar vai sentir algo diferente, as saudades daí…
    mas veja por outro lado: que bom! Imagina se vc não sentisse falta de tudo que está sentindo, ai sim seria uma m… por isso, só tem uma coisa que posso te falar: aproveite o tempo que está por ai!
    Tenho certeza que depois vc vai sentir as “saudades daí”.
    Grande abraço!
    Ale

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