BLOG DO FÁ SAMORI

As experiências, sensações e aventuras de alguém que saiu do Brasil para experimentar o mundo.

30

de
julho

Reflexões daqui-praí

Há quanto tempo! Mais de dois meses certamente desde o último post por aqui. Dá até vergonha. Não há desculpas relacionadas a falta de tempo, nem tampouco, por incrível que possa parecer, desinteresse pelo blog. Desde que o iniciei há mais de um ano percebi que escrever é algo muito prazeroso para mim e tem até gente que gosta das minhas palavras. Isso é gostoso de sentir.
A minha ausência, no entanto, deve ser mais relacionada ao período que estou – ou estamos, já incluindo minha Ju na história – passando por aqui. Talvez as “páginas em branco” não escritas no blog reflitam um período moroso, sem muitas novidades, sem muitas realizações pessoais.
Não vou me ater à Ju e tentar descrever o que ela e eu estamos passando, pois acho que não é justo descrevê-la sem certeza e ainda por cima sem autorização. Porém, o que acredito que rola com este que vos escreve é estar se sentindo um tanto quanto estacionado. Não num estacionamento de shopping Center, com centenas de carros ao redor, mas – talvez o melhor termo seja ancorado – ancorado no meio de um oceano qualquer, sem barcos, navios, botes, caiaques ou qualquer outra espécie de embarcação ou viva alma por perto.
Pelo lado profissional, depois de ter conseguido vencer o desafio do emprego e ter assumido a gerência da loja me parece que tudo tem se encaixado numa rotina medíocre. Pelo lado pessoal – ontem conversei sobre isso com a Ju – temos apenas um ao outro. Amigos aqui são muito diferentes dos amigos daí. Não há um envolvimento mais profundo com ninguém e isso faz falta. Família, então, nem se fala. Nenhum familiar por perto. Ninguém para ir visitar, ninguém a lhe visitar. Nenhum assunto para tratar relacionado aos delicados e estreitos laços familiares que formamos ao longo dos anos que vivemos próximos aos nossos pais, irmãos, tios, avós.
Estou começando a planejar algumas coisas relacionadas principalmente às bicicletas, coisa que me aproximei ainda mais desde que viemos para o Reino Unido. Porém, ainda são planos.
Acho que, por melhor que estejamos vivendo por aqui é impossível negar que a vida aí no Brasil apesar de mais, digamos, trabalhosa, era melhor. Talvez essa seja a resposta de uma pergunta que não consegui responder no começo do ano, feita pela ex-gerente da loja de queijos: “O que há no Brasil que você gosta tanto?”. Poderia responder agora: o Brasil é o meu país, porém, isso por si só não sustenta essa minha admiração por lá. O que gosto tanto lá é a vida cercada de família e amigos que não tenho aqui.

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