13
de
maio
Parabéns São Paulo - Indignação
Hoje li que foi inaugurada a ponte sobre o Rio Pinheiros (mais uma) que liga a Av. Água Espraiada (me recuso a chamá-la de Roberto Marinho) à Marginal Pinheiros. Parabéns a São Paulo. Também li que após ser inaugurada no sábado, na segunda-feira seguinte a ponte já contava com tráfego engarrafado sobre ela. Parabéns São Paulo e parabéns a todos os motoristas que andam sozinhos dentro de carros que comportam no mínimo duas, mas em sua maioria, cinco pessoas. Também li que a ponte custou (ou melhor, foi ORÇADA – e sabemos que pode ter, às vezes, uma pequena diferença entre orçamento e custo real) a bagatela de 233.000.000 de reais. Parabéns a todos os cidadãos de São Paulo que pagam seus impostos e os vêm indo para obras assim, que embelezam a cidade e facilitam a vida de todos. Que bom! Li mais e descobri também que nessa nova ponte é proibido andar a pé ou de bicicleta. Parabéns novamente a toda a sociedade! Esses desgraçados que não têm dinheiro para comprar um carro e sair queimando gasolina por aí têm mais é que… arranjar outros caminhos. Não apareçam em nosso cartão postal!
É óbvio que escrevo com ironia. Na verdade quero exprimir minha vergonha em ser paulistano. Faço uma pergunta: com esse dinheiro todo – vou repetir: 233milhões de Reais – é possível construir quantos quilômetros de ciclovias? Quantos bicicletários? Quantos quilômetros de ciclo faixas poderiam ser pintados no pavimento das avenidas?
Quando li em algum lugar que “a democracia é o sistema mais justo que existe, pois cada povo tem os governantes que merece” foi como um tapa na cara. E é como deve ser. Nào é à toa que Paulo Maluf governou a cidade não sei quantas vezes e que foi o deputado federal mais votado (do Brasil!) nas últimas eleições. A sociedade paulistana quer isso. Quer entrar dentro do seu carro novo, ligar o ar condicionado e sequer pensar nos outros ao seu redor. Não se importa em poluir o ar com combustível fóssil queimado, não se importa de ocupar um grande espaço na rua – e reclama que o trânsito é ruim – não se importa com nada que vá dois metros além do seu umbigo, ou melhor, do radiador de seu carro.
Precisamos disso? As coisas mais importantes para o desenvolvimento das cidades por aqui são baseadas na coletividade. As prefeituras, os governos, as subprefeituras pesquisam junto à população sobre o que é melhor a se fazer em determinado local. Simples. Pedem ajuda e opinião à sociedade que é quem vai usufruir do que se propôs a fazer. E aí? Eu não fui consultado se queria que construíssem uma ponte com a altura de um prédio de 46 andares para servir de cartão postal à Rede Globo! Fico indignado.
Parece que temos uma necessidade incontida de mostrar para todos que somos (ou achamos que somos) ricos, emergentes, ex-subdesenvolvidos e fazemos coisas assim.
Logo mais escreverei dando os parabéns a São Paulo por ter andado tanto na contra mão da história e finalmente ter estacionado, literalmente, pois logo será impossível andar de carro por aí. SE LIGA!!!

