26
de
abril
Senti calor hoje!
E como essa sensação sentida naturalmente sem a ajuda de aquecedores ou outros artifícios é bem vinda! Tudo bem que fui auxiliado pelo ar condicionado da loja que provavelmente está com problema, mas nada estava esquentando o ambiente além do sol.
Num dia típico britânico no qual amanheceu cinza, garoou, ventou bastante, choveu e depois abriu um belo sol, a temperatura se manteve bem alta, talvez a mais alta até agora e chegou quase a 20 graus!
Parece uma coisa besta dizer isso, mas a temperatura exerce grande influência sobre nós. É conhecido e provada cientificamente a influência da luz do sol sobre nosso corpo, e acredito que a temperatura também seja. Fiquei com preguiça de procurar. Enfim, como ia dizendo, pode parecer uma coisa à toa, porém, ser privado de andar de mangas curtas por quase três meses é algo que é estranho, principalmente para nós Brasileiros. Que dirá durante os meses de fevereiro, março e abril. Hoje meus braços sentiram, pela primeira vez nesse período, a luz do sol batendo direto sobre eles e foi isso que me inspirou a escrever.
Os dias aqui já estão longos… e como isso muda rápido. É possível sentir a diferença do tempo de luz de uma semana para outra. Agora o dia tem amanhecido por volta das 5:30 e anoitecido por volta das 20:00h! Há claridade no céu até 21:00h certamente.
É interessante, dá mais disposição. Quem sabe mais inspiração também para postar mais vezes no blog, que anda fraquinho.
26
de
abril
São engraçadas as palavras. São poderosas. Criam e destroem, começam e terminam. São soberanas sobre tudo e qualquer coisa, inclusive sobre os sentimentos.
É estranho como o aprendizado de outra língua pode lhe ensinar mais do que se encerra nas palavras. Hoje estava refletindo um pouco sobre isso e eis o porquê desse post. Falando ao telefone com Gemma, a antiga gerente da loja onde agora sou gerente e que passou a ser amiga, nos despedimos da maneira britânica de se despedir. “Ok, tchau. Te vejo depois.” Nada de um beijo, um abraço, outro coisa e tal.
Comecei a pensar que é assim aqui, simplesmente porque é. Porque às vezes não há palavras que se encaixam em determinadas situações e, assim, elas simplesmente (as situações) não acontecem e não existem.
Um exemplo é o termo “apimentado”. Posso ser leigo no assunto, ainda, dada a pouca experiência que tenho com a língua inglesa, mas não há um termo para se definir “apimentado”. “Spicy” é o que mais se assemelha, porém, isso quer dizer, para nós, temperado. “Hot” eles simplesmente não entendem. Sendo assim aqui não existe coisa apimentada, existe sim temperada. Noto isso, pois eles gostam muito das coisas temperadas, que são comidas por crianças, jovens, adultos e velhos. Para eles nada é apimentado, por mais apimentado que seja para nós, é sim temperado. Não há aquele “mito” da pimenta, como tão bem conhecemos dos pratos baianos.
Uma infinidade de outros termos vem nesse mesmo raciocínio. A mais-do-que-manjada “saudade” que, simplesmente não é sentida por aqui. Você pode sentir a ausência de alguém, de alguma coisa, de alguma situação, mas nunca terá saudade. Nunca sentirá isso no coração, nem na mente. Apenas recordará de algo que não tem, não vê ou não participa mais…
Nunca tinha parado para pensar na força das palavras. O que vem primeiro? O sentimento e depois sua descrição oral? Parece que não. Parece que sentimos as coisas porque sabemos como descrevê-las de uma maneira simples, fácil e rápida. E aí, o que você acha?