11
de
março
Deixando fluir…
E as coisas vão acontecendo por aqui. De vez em quando vejo minha vida como num filme. Nos momentos em que recordo do passado recente, pego trechos de dias, pequenos momentos, situações, gente que vi, raios de sol, chuva que tomei, lugares, coisas que ouvi, coisas que falei. Rapidamente sou capaz (acredito que como qualquer outro ser humano) de fazer um clipe com música e tudo em minha mente. Meio que aquilo dito por Renato Russo “…lembro e esqueço como foi o dia…”
Tenho pensado muito, não demais, mas muito. Sem muito prá se fazer aprendemos a conviver conosco. Um dia aprenderei a conviver comigo. Mas enquanto esse dia não chega vou tentando.
Tenho sentido que o momento é de decisões importantes. Para tudo, para o futuro, para o agora. Fui arrojado na loja que trabalho e pedi a gerência. Estou com outros dois planos em mente e tenho estudado bastante em direção da realização de um dos dois.
Acho que uma coisa está sendo muito diferente de alguns dias para cá: não tenho tentado esconder de mim que sinto falta e quero voltar para o Brasil. Não tenho evitado ler notícias nos sites brasileiros, não tenho evitado de falar a respeito disso com a Ju. Acho que de certa forma isso está me fazendo bem. Acredito estar assumindo a condição de viver fora daquele país por um tempo. O mais incrível é que assumindo essa posição tenho encontrado muito mais recursos para ver meu futuro e traçar uma diretriz para quando regressar.
Até esse post está meio mudado. Simplesmente resolvi jogar as palavras para fora e tentar juntá-las em um texto que leve a algum lugar, a alguma conclusão. Mas espere um pouco: quem é que espera que eu lance conclusões aqui? Acho que ninguém, né? Então, mesmo sem conclusões ou direções exatas a coisa vai fluindo.
Não sei onde esse pensamento, essa lembrança que acabei de ter agora vai levar, mas desde o momento em que o tive pensei em usá-lo para alguma coisa. Acho que chegou a hora.
Uma vez fazendo o que talvez seja a coisa que mais gosto de fazer, viajando com meus amigos, numa cidadezinha do interior mineiro, chamada Aiuruoca tivemos um momento mágico. Chegamos a uma cachoeira lindíssima. Não muito alta, mas com bastante volume. Suas geladas e cristalinas águas formavam um maravilhoso lago. O vale esculpido pelo rio que montou todo esse cenário era belíssimo com paredões de rocha clara e muitas plantas de um verde exuberante. As rochas também eram lindas e tinham formas curiosas e arredondadas com furos, ocos, reentrâncias. Estávamos em sete ou oito amigos e todos ali sentimos uma paz imensa, única. Acho que foi o único momento em nossas vidas que todos, ao mesmo tempo, sentimos algo daquela maneira. O que pensei na volta, ao dar uma última olhada àquele cenário magnético e magnífico foi: “não importa o que irá acontecer. Você poderá estar estressado, louco da vida. Preso no trânsito, buzinas e fumaça à sua volta. Poderá estar em outro lugar do mundo. Poderá já estar morto há muito tempo, seu filho poderá estar nascendo, seu pai morrendo, sua mulher lhe abandonando. Poderá ver seu sonho realizando, construir um mundo todo, ter tudo o que sempre sonhou. Poderá estar dormindo, acordado ou anestesiado. Não importa o que você faça. Aquela água, aquela cachoeira, aquele vale e aquela paz sempre estarão ali. Independem de você, de mim, de quem quer que seja. Haja o que houver.” Pensar naquele lugar de paz “inabalável” faz bem, nos põem em nosso devido lugar. Esteja onde estivermos.
Pois é, como disse não levou a lugar algum, mas confesso a você que estou muito mais calmo agora.


Comentário por Ale — 12 de março de 2008 (2:55)
Aí primão!!!
Fiquei comovido com suas palavras… to percebendo que o momento é de muita reflexão… que bão…
a saudade aperta, eu sei, tinha dias que eu me sentia como o Gil cantando aquela música sobre Londres de quando ele estava exilado ali, me identificava completamente, me sentia um exilado. Na verdade acho que nesta situação somos mesmo exilados, a diferença e que nós mesmos nos exilamos, nos colocamos em outro país afim de conhecer novas culturas e delinear novos planos para nossas vidas. Aproveite essa fase! As transformações vem em breve.
Um conselho eu acho que posso te dar: nunca deixe de ter planos, objetivos, idéias, metas… Elas vão te guiar, pode ter certeza…
E acima de tudo, ouça o que o seu coração está te falando, ele sabe direitinho o que te dizer nestas horas.
Fique bem primão!
Grande abraço!
Ale
PS: nas lojas de usados vc encontra uma televisão baratinha… passa vontade não…
Comentário por Vittorio, paps — 12 de março de 2008 (19:19)
Oi Fá, só hoje atualizei as leituras do seu blog. Vc e o blog estão magníficos. É emocionante como vc abre sua alma escrevendo, mais até que falando pessoalmente, adorei tudo que vc escreveu, só queria lhe dizer uma coisa, não se cobre muito, não exija demais de vc, deixe a vida fluir.
Um beijo
Comentário por Fabi — 14 de março de 2008 (14:28)
Perillooooooo
Que saudades amigo…fazia tempo que não lia seus posts. Estou trabalhando no sesc e quase nunca dá tempo te parar e ler o que vc escreve (e eu adoro!).
Dei muita risada com o acorrido ao se atrapalhar com a língua…muito engraçado!
E usara como exemplo o ilha das flores, que conhecemos tão bem, para descrever o sentimento pelo Brasil, tb foi bom…auto explicativo!
Amigo, saudades de v e da Ju, manda um beijo pra ela, meu e do Theo!
Vcs tem uma previsão de volta ao Brasil? Maio é aniversário do Theo (e seu tb!), gostaria que estivessem aqui…
Beijos!!
Comentário por Dé — 17 de março de 2008 (0:29)
Oi, meu irmão!!!
Que lindo tudo que escreveu! Que maturidade e que reflexões…sem a menor dúvida, é muito bom saber que elas, as águas cristalinas, estão lá!!! Como bem disse vc, onde deveriam estar. E o melhor é que nós também!!
Sim, eu tb vivi aquilo com vc e foi um dos momentos mais mágicos de nossas vidas. Bom, é poder olhar para a vida e saber que esse é o caminho, mesmo com saudades de todos, mas com a certeza de que é o que você precisa trilhar. Continue, porque é muito bom saber que têm pensado e planejado…viva!
Te amo muito irmão! Cuidem-se (como os velhinhos adoráveis que vão à loja de queijos…) e muitos beijos