BLOG DO FÁ SAMORI

As experiências, sensações e aventuras de alguém que saiu do Brasil para experimentar o mundo.

28

de
março

Críticas à amada cidade

Sou paulistano. Nasci no bairro da Moóca, cresci entre os bairros do Aeroporto de Congonhas, Aclimação e Ipiranga. Tenho hoje uma casa na Aclimação, próxima ao Parque. Vivi em São Paulo sempre. Sempre gostei. É certo que estive um pouco ausente por três anos, quando estudei o colegial técnico (esses termos denotam a nossa idade) em São Caetano. Porém São Paulo sempre foi minha referência de mundo.
Na época da faculdade comecei a atinar para algo que passou a incomodar: freqüentemente demorava cerca de uma hora, uma hora e meia para percorrer os quinze quilômetros que separavam o Mackenzie da casa dos meus pais, onde vivia, então. Stress.
As distâncias para quem vive em São Paulo e possui um carro não impressionam. Lembro uma vez, que em companhia de meu pai, fui ver uma chácara, onde pretendíamos fazer um churrasco de fim de ano. Morávamos na zona sul, como disse próximo ao aeroporto de Congonhas e a chácara era dentro dos limites da cidade, ainda mais ao sul. Não tínhamos idéia de como a cidade era grande até então. Rodamos mais de quarenta quilômetros para chegar naquele lugar, que ficava realmente no extremo sul da cidade. Ar de interior, mas ainda cidade de São Paulo.
Tenho amigos que amam a cidade. “Não troco Sampa por nada.” Afirma categoricamente um. “Aqui é onde estão as oportunidades.” Fala outro.
Hoje recebi um e-mail de minha mãe, paulistana fervorosa que enviou-o em resposta a um vídeo de Branca Nunes e Thiago Benicchio, que assisti e disponibilizei no Orkut. (assistam, é muito bom! (http://paginas.terra.com.br/arte/sociedadedoautomovel/index.html)
Também sou apaixonado por São Paulo. Emocionou-me ver o e-mail enviado por ela: uma apresentação de Power Point com fotos da cidade, alguns textos e a música do Caetano “Alguma coisa acontece no meu coração…”
Porém, quase completando um ano vivendo e experimentando novos pontos de vista, novas e diferentes perspectivas, a visão crítica sobre a cidade se amplia.
A cidade vive hoje mergulhada no caos. Para a grande maioria da população, que é de baixa renda (li uma reportagem que dizia que a “classe C” ultrapassou em números de pessoas a “classe D”) sofre com o transporte público de péssima qualidade, com a falta de calçadas, com a falta de educação generalizada, com o preconceito deles para si mesmos e dos outros “das classes mais altas”. Essas por sua vez vivem num mundo de fantasia, em carros-bolhas-blindados onde passam uma grande parte de suas vidas, sozinhos, reclamando do trânsito. Nem pensam em usar o transporte público, principalmente pela falta de qualidade.Também vivem com medo. As classes que discriminam querem ser como eles e sem oportunidades, têm que roubar seus sonhos conquistados e pagos a prestações e juros nas alturas. Compram em shoppings, se divertem em locais fechados, vivem em neo-feudos que chamam de condomínios fechados, com segurança particular armada com armas, câmeras e satélites.
Perdeu-se em São Paulo o senso de coletividade: o que é público não é de ninguém. O que na realidade é justamente o oposto. Podemos chamar esse monte de gente de sociedade? Como diz (novamente) o Renato Russo em uma de suas canções: “…Vamos comemorar… o nosso Estado que não é nação…”
Enfim, poderia elencar uma série de defeitos graves que passei a enxergar dessa imensa, feia, injusta e amada cidade.
Sempre gosto de citar a história vivida por um amigo que fazia um trabalho na Volkswagen da Suécia e resume, de certa forma, valores de uma Sociedade, propriamente dita. Todos os dias ele chegava cedo à fábrica, levado pela pessoa encarregada de ciceroneá-lo. Todos os dias essa pessoa estacionava longe da porta de entrada, mesmo tendo praticamente todo o estacionamento disponível, inclusive as vagas próximas à porta. Ao fim de uma semana, com um pouco mais de intimidade ele resolveu perguntar o porquê de estacionar sempre longe e não mais próximo. “Estamos chegando adiantados” respondeu o cicerone. “Temos tempo para sair do carro e andar calmamente pelo estacionamento e não iremos nos atrasar. Deixo as vagas mais próximas para aqueles que chegam mais atrasados e precisam entrar rapidamente na fábrica”.
Entenderam a diferença de valores?

23

de
março

Desculpas

Existem momentos pelos quais passamos em nossas vidas, que no instante seguinte após uma determinada ação tomada, palavra proferida ou um gesto feito a gente deseja do fundo de nossa alma que não tivéssemos feito aquilo que segundos atrás parecia ser inofensivo, inocente, despretensioso.
Existem sim aquelas ocasiões em que tomamos atitudes propositais, mas essas não vêm ao caso.
Estou falando das inocentes cagadas que cometemos e que acabamos muitas vezes até magoando quem está mais próximo de nós.
Agora é um desses momentos que queria ter uma maquininha do tempo para voltar alguns minutinhos e fazer a coisa de uma maneira melhor.
Hoje a Ju se pôs a cozinhar uma receita especial de peixe. Fez molho, creme, comprou vinho, fez nossa páscoa e sem a menor sensibilidade, enquanto falei ao telefone com a família e minutos antes, quando escrevi um e-mail aos nossos amigos disse que nossa páscoa havia sido meio xôxa. Que fiasco. Onde a gente põe a cabeça numa hora dessas?
Esse post é despretensioso de qualquer outra coisa além de pedir desculpas à minha linda namorada, esposa, companheira, que segura a barra e faz a vida acontecer. Sem ela não seria nem a metade e minha páscoa, nem lembraria.

23

de
março

Simples Assim

A música sempre foi muito presente em minha vida. Não sou um estudioso, nem tenho uma coleção invejável de CDs. Acredito que quase todos os meus amigos tenham mais CDs que eu.
No entanto desde a adolescência muitas me marcaram e acredito que as sinto até hoje. Na década de oitenta, quando comecei a conhecer alguma coisa sobre música, o rock ainda era muito tocado nas rádios e foi fácil deixar-me encantar. A influência dos primos mais velhos trouxe além de Rush, Led Zeppelin, Beach Boys e tudo o mais que tem entre eles, Pink Floyd. Uma banda que me influencia até hoje na maneira de pensar, ser e encarar a vida.
No plano nacional, sem fazer comparações a nenhuma banda internacional, o rock recomeçava após a ditadura. Palavrões nas músicas do Camisa de Vênus, críticas sociais com os Inocentes, Garotos Podres enfim a possibilidade da livre expressão, que até então não conhecíamos, tomou voz com Legião Urbana, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, Plebe Rude, Replicantes, Titãs, Ultraje a Rigor, Ira!.
Dessas bandas o Ira!, principalmente com o disco Vivendo e Não Aprendendo foi tema de inúmeras reflexões e pensamentos adolescentes desenrolados e esmiuçados em meu quarto. Não sei se por isso muitas pessoas que me conhecem lembram de mim ao escutar Ira! Como aquela coisa de não saber quem veio primeiro, se o ovo ou a galinha, não sei se realmente fui tão influenciado por eles ou se transpassei tão descaradamente minha admiração pela banda aos que me cercam.
Independentemente disso veio essa semana à cabeça um trecho de uma das músicas deles “… branca neve que nunca senti. Solidão me deixe forte. Talvez resolva meus problemas…”
Fiquei muito emocionado na quinta feira passada ao sentir e ver a neve caindo do céu. Não sei bem explicar porque, mas foi algo forte. Ao sair de casa para retornar ao trabalho, após o almoço, achei que alguma coisa estava estranha: aqueles pingos de chuva estavam grossos e brancos demais. Também não imaginei que fosse neve, pois imaginava que ela caía branquinha em flocos grandes, quase como plumas vindas do céu, e aqueles caíam em certa velocidade. Continuei a andar e ao chegar à loja onde trabalho a “chuva” deu uma apertada. Isso é neve?” perguntei eu, caipira tropical paulistano. Na maior simplicidade e sem o menor espanto Gemma e o rapaz que começou a trabalhar conosco essa semana responderam, “sim” e voltaram a fazer o que estavam fazendo. Nem entrei na loja e fiquei observando a neve se intensificar. Pareciam agora mais com o que eu esperava que parecessem: flocos maiores, levados pelo vento forte. Justamente por causa do vento, pareciam vir de todos os lados. Fui senti-los. Eram como chuva (água que são, não poderiam ser diferente), mas uma chuva mais leve. Gotas mais leves. Fiquei maravilhado.
É incrível a forma que reagimos ante a coisas tão simples na vida. E é bom sabermos que não conhecemos tudo, que temos muito a experimentar. Da mesma forma também é bom deixarmos nos encantar pelas coisas simples e óbvias. Quando foi a última vez que você prestou atenção ao pôr do sol? Onde foi que viu o último arco-íris? Quando foi a última vez que tomou chuva? Que entrou no mar? Que se sujou de barro? Que andou descalço? Que foi empurrado pelo vento? Que nadou num rio?
Aos poucos vamos nos distanciando dessas coisas simples e inventando coisas complicadas para nos preocuparmos. Como já ouvi há muito tempo justamente numa das músicas do Floyd: “Breathe, breathe the air, don’t be afraid to care…”

11

de
março

Deixando fluir…

E as coisas vão acontecendo por aqui. De vez em quando vejo minha vida como num filme. Nos momentos em que recordo do passado recente, pego trechos de dias, pequenos momentos, situações, gente que vi, raios de sol, chuva que tomei, lugares, coisas que ouvi, coisas que falei. Rapidamente sou capaz (acredito que como qualquer outro ser humano) de fazer um clipe com música e tudo em minha mente. Meio que aquilo dito por Renato Russo “…lembro e esqueço como foi o dia…”
Tenho pensado muito, não demais, mas muito. Sem muito prá se fazer aprendemos a conviver conosco. Um dia aprenderei a conviver comigo. Mas enquanto esse dia não chega vou tentando.
Tenho sentido que o momento é de decisões importantes. Para tudo, para o futuro, para o agora. Fui arrojado na loja que trabalho e pedi a gerência. Estou com outros dois planos em mente e tenho estudado bastante em direção da realização de um dos dois.
Acho que uma coisa está sendo muito diferente de alguns dias para cá: não tenho tentado esconder de mim que sinto falta e quero voltar para o Brasil. Não tenho evitado ler notícias nos sites brasileiros, não tenho evitado de falar a respeito disso com a Ju. Acho que de certa forma isso está me fazendo bem. Acredito estar assumindo a condição de viver fora daquele país por um tempo. O mais incrível é que assumindo essa posição tenho encontrado muito mais recursos para ver meu futuro e traçar uma diretriz para quando regressar.
Até esse post está meio mudado. Simplesmente resolvi jogar as palavras para fora e tentar juntá-las em um texto que leve a algum lugar, a alguma conclusão. Mas espere um pouco: quem é que espera que eu lance conclusões aqui? Acho que ninguém, né? Então, mesmo sem conclusões ou direções exatas a coisa vai fluindo.
Não sei onde esse pensamento, essa lembrança que acabei de ter agora vai levar, mas desde o momento em que o tive pensei em usá-lo para alguma coisa. Acho que chegou a hora.
Uma vez fazendo o que talvez seja a coisa que mais gosto de fazer, viajando com meus amigos, numa cidadezinha do interior mineiro, chamada Aiuruoca tivemos um momento mágico. Chegamos a uma cachoeira lindíssima. Não muito alta, mas com bastante volume. Suas geladas e cristalinas águas formavam um maravilhoso lago. O vale esculpido pelo rio que montou todo esse cenário era belíssimo com paredões de rocha clara e muitas plantas de um verde exuberante. As rochas também eram lindas e tinham formas curiosas e arredondadas com furos, ocos, reentrâncias. Estávamos em sete ou oito amigos e todos ali sentimos uma paz imensa, única. Acho que foi o único momento em nossas vidas que todos, ao mesmo tempo, sentimos algo daquela maneira. O que pensei na volta, ao dar uma última olhada àquele cenário magnético e magnífico foi: “não importa o que irá acontecer. Você poderá estar estressado, louco da vida. Preso no trânsito, buzinas e fumaça à sua volta. Poderá estar em outro lugar do mundo. Poderá já estar morto há muito tempo, seu filho poderá estar nascendo, seu pai morrendo, sua mulher lhe abandonando. Poderá ver seu sonho realizando, construir um mundo todo, ter tudo o que sempre sonhou. Poderá estar dormindo, acordado ou anestesiado. Não importa o que você faça. Aquela água, aquela cachoeira, aquele vale e aquela paz sempre estarão ali. Independem de você, de mim, de quem quer que seja. Haja o que houver.” Pensar naquele lugar de paz “inabalável” faz bem, nos põem em nosso devido lugar. Esteja onde estivermos.
Pois é, como disse não levou a lugar algum, mas confesso a você que estou muito mais calmo agora.

10

de
março

O que é um amigo para você?

Estando aqui distante de todos os mais próximos, acho que tenho aprendido bastante o que se encerra dentro do conceito amizade.
Muito diferente do que pratico aí no Brasil, as amizades aqui não têm tanta profundidade. Mesmo aqui em Edimburgo onde as pessoas são de fato mais amáveis, não sinto entre as pessoas, nem para com elas algo capaz de gerar uma amizade mais profunda.
Um amigo é surpreendente, é sempre. É nunca deixar de estar com você, mesmo estando fisicamente meio mundo longe. É quem sabe sentir seus sentimentos, quem lhe desvenda apenas nas palavras.
Um amigo entra em latência – importando da biologia o termo. Pode ficar nesse estado por anos. Porém, quando é amigo, você tem certeza de que um dia essa latência vai ser quebrada e tudo vai transcorrer normalmente, como se estivessem sem se falar ou se ver por poucos dias.
Sim estou mais sensível esses dias. Talvez o inverno que atrapalha muito a nossa liberdade (a nossa, de dois brasileiros recém chegados, pois os escoceses estão nas ruas andando, correndo, no sol, na chuva, no vento, no que vier) e contribui um pouco para uma rotina um tanto quanto entediante. Talvez o tamanho da kitchinete que moramos contribua com o tédio. A falta de uma televisão (por incrível que pareça), de jogos, de entretenimento gratuito contribuam para o tédio que venho sentindo. Nada, porém, contribui mais para isso que a ausência física dos amigos. Não é mais um lamento, não. Apenas um relato que veio num lampejo, num lapso do tédio, quebrado justamente por palavras de um amigo que deixou seu depoimento aqui no Blog.
Amigo esse mais que amigo, primo-irmão. Amigo com mesmo sangue capaz de transformar tédio em motivação, esperança em realidade e provavelmente um outro tanto de coisas que estão por vir. Valeu meu primo, suas palavras vieram em boa hora!

7

de
março

Queijos, salames e pensamentos

O cotidiano na loja de queijos I. J. Mellis Cheesemonger tem sido variado. Por vezes é monótono e entediante e sinto-me “robóticamente” trabalhando, desembrulhando queijos, tirando seus bolores e embrulhando-os novamente em filme plástico. Por outras é interessante, pois travo curtos, mas simpáticos diálogos com clientes bem humorados que entram na bela loja em Morningside. Por outras, ainda, revela-se cômico, tragicômico até por conta de minhas dificuldades e confusões lingüísticas.
Um desses episódios divertidos ocorreu há dois dias enquanto atendia a uma senhora de bastante idade. De chapéu, sobretudo, toda arrumada, carregando uma bengala e algumas poucas sacolas de outras lojas das imediações a velha senhora pediu-me para que fatiasse 200g de bacon defumado. Pus a máquina em funcionamento e cortei um certo número de fatias finas. Ao pesar vimos que tinha cortado apenas cento e poucos gramas. Pus a máquina novamente em funcionamento e a senhora, que acompanhava a carne sendo fatiada me pediu para que a parasse pois achava que aquela quantidade de fatias estava de bom tamanho. Ao colocar na balança… exatos 200g. Falei para ela o que pensei que fosse ”puxa a senhora tem uma boa visão. Conseguiu acertar em cheio o peso.” Uma frase boba, mas que faz a diferença para clientes que costumeiramente são atendidos de forma mais fria pela gente do comércio daqui. Ela me deu um grande sorriso e agradeceu muito. Notei que alguma coisa ficara estranha no ar, mas terminei a venda e desejei à simpática senhora um bom dia.
Ao sair, Gemma, a gerente da loja não se continha de tanto rir. Que houve Gemma? O que aconteceu? “Fabio você acabou de dizer para essa senhora que ela tinha lindos olhos!” Isso foi motivo de gargalhadas na hora e depois quando contei o fato para a Ju, já em casa. Realmente não sei exatamente o que falei, mas como no português, no inglês existem certas entonações ou certas pequenas palavras que colocadas em determinado ponto da frase são capazes de grandes mudanças no sentido da mesma. Coisas sutis como a expressão usada pela belga Sarah, que trabalha conosco e também foi motivo de chacota: numa determinada conversa com um cliente ela soltou: “I Will keep my finger crossed!” Gemma interveio da mesma maneira que comigo após o cliente ir embora: “Sarah” – disse ela – “você deve se cuidar para não quebrar o dedo, pois o que acabou de dizer é que você manteria seu dedo torcido!” Ela usou essa expressão para dizer que manteria seus dedos cruzados, como fazendo “figas”.
Tenho observado também a devoção de certos clientes a seus pares (marido ou esposa). Tenho me encantado com os velhinhos que vão à loja. Semana passada atendi uma senhora, muito velhinha, com suas mãos trêmulas, provavelmente devido ao mal de Parkinson. Se demorou e esforçou-se para lembrar qual era o queijo preferido do marido. Após muita reflexão e conversa acabou levando o que ela imaginava ser, um Cheddar inglês maturado. Hoje atendi a um casal muito idoso. De braços dados foi o senhor que fez o pedido: “queremos 150g de bacon, mas por favor, corte fatias de média espessura.” Cortei três fatias de espessuras diferentes para que escolhessem a que melhor lhes agradava. Ficaram encantados. Pediu a seguir, apenas para experimentar, um pouco de salame Milanês. Cortei duas finas fatias e levei para que degustassem. Ele me disse que iriam experimentar em casa e queriam comprar apenas aquelas duas fatias. Fiquei penalizado, embrulhei-as e falei: “guarde em sua bolsa, senhor, antes que minha gerente veja”, e dei um sorriso. Acho que gostaram muito, pois ele começou a conversar comigo e acabou perguntou-me se era italiano. Disse que quase, era brasileiro, mas de família italiana. Começou a contar-me que morou em Roma após a guerra terminar e logo sua esposa foi morar com ele. Notei que ela deveria ter sofrido algum tipo de derrame, pois quase não falava e parecia ter um lado do corpo sem muita coordenação motora. Acabamos conversando um pouco em italiano e nos despedimos. Fiquei imaginando quanta coisa não passaram juntos, quantos anos. E ainda hoje ambos já no final de suas vidas andando de braços dados é alguma coisa que realmente me fez refletir.
E quem vai pensar que vender queijos e salames faz refletir sobre valores e sentimentos?

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