BLOG DO FÁ SAMORI

As experiências, sensações e aventuras de alguém que saiu do Brasil para experimentar o mundo.

2

de
dezembro

Fim do Expediente

Mallaig ficou para trás, ou melhor, ficou onde sempre foi, no norte escocês. Terminamos nosso serviço por aquelas terras de vento, de gente legal, de economia de dinheiro.
Não somos mais os mesmos e isso já era previsto, porém, experimentar essa sensação é algo muito bom. Trabalhamos duro. Tarefas difíceis para quem nunca havia se sujeitado a tais coisas, ao menos profissionalmente. A Ju arrumando quartos, camas e banheiros; eu lavando panelas, limpando cozinha e equipamentos, descascando vegetais. Fomos testados, acredito que mais eu que ela. Acho que tive mais conflitos que ela, mais re-arranjos necessários, mais adaptações. Não tenho a resposta exata do porquê disso, mas acho que sempre fui mais inflexível, mais turrão, mais estreito em relação a minha vida profissional, menos humilde que ela. Por isso, talvez, tenha aprendido mais que minha amiga, namorada, mulher.
Os últimos dias de trabalho no West Highland Hotel foram de contagem regressiva. Como já havia mencionado por aqui, alguns já haviam partido (Ruta, Erika, Canlor e Kady) sendo a Monika a última a ir embora antes do fim da temporada. A contagem era regressiva, principalmente para a Ju que estava fazendo o “housekeeping” praticamente sozinha, dia após dia. Para mim as coisas começavam até a ficar entediantes, uma vez que o restaurante já não abria mais para almoços e o número de pessoas que jantavam por lá era bem menor que no início.
Tudo passou muito rápido e quase nem me dei conta que no dia 03/11/07, um sábado à tarde, um dia de sol em meio aos dias nublados daquela semana, numa limpeza geral da cozinha, eu e a Giulian, a chef, demos por encerrado nossos trabalhos na temporada de verão de 2007 do West Highland Hotel. Fechávamos a cozinha e eu encerrava uma etapa importantíssima e única de minha vida.
Como dizem, entre o céu e a terra há muito mais do que a vã filosofia pode imaginar. Em meus vãos pensamentos nunca havia concebido que um trabalho de máquina de lavar louças fosse tão relevante e tão construtivo. Sem pensar, aprendi a ser mais humilde, mais paciente, a trabalhar mais meus sentimentos e lidar melhor com minhas frustrações.
E quando me perguntam por que alguém com pós-graduação submete-se a ser lavador de panelas, simplesmente não tenho como argumentar, apenas a lamentar.

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