1
de
setembro
Escocia o Brasil gelado do Hemisferio Norte
O título desse post é uma paráfrase ao comentário da Ju de outro dia, quando ela se referia à beleza, à hospitalidade e simpatia do povo escocês. Já havíamos sido alertados disso pelo Alê, meu primo, que morou dois anos em Londres.
A Ju disse a frase quando, em nosso segundo dia de folga, fomos até a cidade de Inverness, onde há uma série de serviços que não encontramos em Fort William e muito menos em Mallaig.
Distante cerca de três horas de viagem de trem e ônibus de Mallaig, Inverness é uma cidade de sonho. A própria viagem até lá é uma coisa de outro mundo. A estrada de ferro de Mallaig a Fort William, como já citei aqui no blog, é linda. Contorna até certo ponto o litoral recortado do noroeste escocês e depois parte rumo ao interior passando por vales, a beira de riachos e lagos e possui trechos que serviram de cenários para os filmes de Harry Potter. A estreita rodovia de Fort William à Inverness, não menos bonita, contorna durante um trecho de 37km, dentre outras maravilhas, o Lago Ness que guarda não só a beleza de suas águas calmas e suas margens que dão a impressão de estarem exatamente do mesmo jeito que os vikings as avistaram pela primeira vez que remaram por ali, mas também ruínas de castelos e a expectativa de se ver “Nessie” a forma bem humorada que os escoceses encontraram de fazer marketing e ganhar dinheiro com a fama do “Monstro do Lago Ness” fotografado por alguém, se não me engano, nos idos de 1960.
Passa-se duas horas dentro do ônibus como se assistindo um filme que tenha apenas paisagens, lindas de se ver.
Como a viagem era relativamente longa, dormimos em Inverness, num. Pudemos ir ao banco (o que mais necessitávamos fazer) e conhecer a pequena cidade caminhando por suas ruas. A cidade é cortada por um largo rio, que na verdade é o canal (natural) que liga o Lago Ness (que na realidade é uma laguna) ao oceano. Raso, de águas cristalinas e provavelmente geladas é maravilhoso de se ver, com a cidade e suas diversas torres de igrejas em abas as margens. Numa delas há o Inverness Castle, de onde se avista toda a cidade e provavelmente suas fronteiras, até onde a vista alcança.
Era uma quarta-feira. Sem rush, sem caras feias, sem pressa. Com absolutamente todas as pessoas que falamos fomos recebidos com simpatia e cordialidade naturais. Nos sentimos em casa, num lugar onde provavelmente o calor humano seja a melhor maneira de espantar o frio que faz no verão e que deve ser uma coisa de outro mundo no inverno. Uma cidade e uma gente para se conhecer e se curtir. Voltaremos para lá ainda nessa temporada e quem sabe no ano que vem.

