BLOG DO FÁ SAMORI

As experiências, sensações e aventuras de alguém que saiu do Brasil para experimentar o mundo.

28

de
setembro

As Pequenas Coisas da Vida

E verdade que nesse blog pus algumas reclamacoes a respeito do Reino Unido. Que Londres nao causou boa impressao, que o trabalho e pesado, que esta frio, etc, etc, etc.. No entanto se voces perguntassem para mim: "e ai Fabio, esta compensando estar ai? - pois certas vezes parece que voce esta sofrendo tanto…
Respondo: esta.
Temos aprendido muito: desde a convivencia com os colegas de trabalho ate a aclimatacao com as condicoes climaticas. Parece que tudo esta sendo revisto, re-pensado, re-saboreado em minha vida. Acredito, reforcado pela opiniao da Ju que realmente estou mudado - e mudando, gracas a Deus. Nao para pior, espero, apenas mudando. Hoje talvez de mais importancia a minha familia, aos meus amigos (mais ainda!), enfim, a minha vida.
Parte do que faz compensar estar por aqui esta nas pequenas coisas que acontecem e que talvez nao desse muito valor antes: um dia de sol, uma paisagem maravilhosa, um sorriso da Ju, o meu bem estar, a musica.
A musica tem sido uma revelacao a parte. Sempre gostei muito de ouvir minhas selecoes e talvez aqui, meio que privado de ouvir realmente o que gosto (nao trouxe meus CDs - obvio - tenho poucas musicas no computador e nao temos radio no quarto). Porem e privilegio para quem  gosta de Rock viver por aqui.
A BBC 1, a Radio 1, como e chamada esta comemorando 40 anos! No cotidiano, atualmente e uma radio bastante comercial e toca um pouco de tudo. Nao se foca num estilo, o que particularmente nao me agrada. No entanto, essa semana e a semana passada ouvi das 9 as 10 da noite, horario que estou terminando meu servico dois programas comemorativos que realmente valeram a pena e contribuiram para as coisas boas que fazem valer a pena.
Vou fazer um misterio, porem digo que foram programas apresentados por pessoas ilustre (britanicos) do mundo da musica. Quem se interessar pode acompanhar e, acredito que ouvir o que eu ouvi pelos links: http://www.bbc.co.uk/radio1/established1967/feature/legends01-paulmccartney.shtml  e http://www.bbc.co.uk/radio1/established1967/feature/legends.shtml

Isso ai pessoal!
PS.: desculpem a acentuacao, porem estou escrevendo direto no blog!

24

de
setembro

O Hotel Fantasma

Trabalhei no Brasil como educador ambiental durante muito tempo. Não sei contar quantas vezes saí com grupos de crianças e adolescentes para realizar estudos do meio (como chamamos essas excursões pedagógicas) dentro e fora da cidade e do Estado de São Paulo. Conheci muitos lugares trabalhando com isso. Lugares bons, lugares ruins, lugares maravilhosos. Conheci muita gente legal, muitos alunos que fizeram valer cada hora que não dormi para tomar conta da turma. Alunos chatos, mimados, companheiros, confidentes. Alguns se transformaram em amigos que mantenho contato até hoje.
Dos lugares que conheci, talvez o mais maravilhoso seja a Ilha do Cardoso. Tudo por ali é encantador: a mata atlântica que parece ser intocada, a região estuarina de Cananéia com seus botos e tartarugas, as praias desertas, a cultura Caiçara, os próprios caiçaras e suas lendas.
Durante os estudos além dos guias que viajam de São Paulo com os alunos, geralmente das empresas que realizam esse tipo de programação, como a Apel, o grupo é acompanhado por cerca dois ou três caiçaras: um funcionário do Parque e um ou dois monitores ambientais. Os funcionários do Parque que trabalham nessa função são (acredito que isso permaneça dessa maneira): Seu Romeu, Seu Carlinhos e Ilzo. Três figuras prá lá de interessantes, cada qual com sua maneira de interagir com alunos de todos os cantos do Brasil. Cada um com histórias e lendas para serem contadas geralmente à noite após o encerramento das atividades, antes de dormir.
Lendas que contam histórias reais, lendas de coisa que se ouviu falar, geralmente sobre temas sobrenaturais, dessas que são tão reais que as pessoas que as ouvem passam até a ver as coisas tais quais foram contadas.
As ilhas geralmente possuem essa mítica: são lugares cercados de magia, envoltos não somente pelo mar, mas pelo misticismo, crença e muitas vezes pela imaginação fértil de seus habitantes.
Mallaig não é uma ilha propriamente dita, mas se vocês observarem num mapa a região todo por aqui possui muita água, muitos lagos, ou “lochs” como se diz por aqui. Talvez o exemplo mais famoso deles seja o Loch Ness, (Lago Ness), apenas um exemplo de muitos. Todos também rodeados por mitos e lendas.
Dizem as más línguas (com o perdão do trocadilho, mas isso é o que não falta por aqui) que o West Highland Hotel é mal assobrado.
Tomei conhecimento disso num dia que brinquei quando as louças que estavam secando sobre a pia (num tipo de aparador que existe entre a pia e a janela) caíram sobre as cubas, fazendo um estrondo. Naquela hora disse “Caramba, isso deve ser fenômeno Poltergheist!” Mal acabei de falar, Rudy, o ajudante do chef virou para mim, sério e pediu para que eu não repetisse mais esse tipo de coisa, pois ele próprio havia presenciado “coisas estranhas” acontecerem na cozinha.
Sem ter conhecimento disso a Ju, num dia qualquer, fazendo o housekeeping no último andar do hotel (um antigo sótão, transformado em andar) viu a TV do quarto 29 ligar sozinha. No mesmo dia ficou sabendo que uma das meninas da Lituânia, a Ruta, não trabalhava naquele andar pois tinha sensações horrorosas. De fato, aquele dia a Ju terminou o trabalho transtornada. Sentia a todo o instante enquanto estava no “top floor” que era vigiada, que alguém passava por trás dela. Inquietante. Nem dormir direito conseguiu.
Após esses acontecimentos e a jura da Ju dizendo que nunca mais trabalharia no top floor sozinha, fomos por acaso ao Herritage Centre de Mallaig, um tipo de museu que conta muito da história da cidade, do porto, e de toda a região das Highlands e das pequenas ilhas que ficam espalhadas por aqui.
Dentre as diversas fotos existentes por lá uma nos impressionou: uma foto tirada em 1903, na qual o hotel em que trabalhamos aparece já construído e funcionando como tal.
Isso só aguçou nossa curiosidade e nos forçou a perguntar a mais pessoas aqui do hotel sobre o último andar e essas sensações estranhas sentidas pela Ju e pela Ruta: a única coisa que ficamos sabendo é que certa vez um hóspede deixou o hotel antes do tempo previsto alegando que seus filhos (duas crianças) não conseguiram dormir e ficaram aterrorizados por ouvirem a noite inteira ruídos que pareciam panelas batendo e crianças chorando. Todas as outras pessoas se recusaram a falar sobre o assunto e encerraram a conversa naquele instante.
Que “meda”, hein?!

24

de
setembro

O colega portugues

A despreocupação ou inocência ou a confiança (o que prefiro acreditar) das pessoas com quem e em quem não se conhece já havia me despertado o interesse desde que aluguei o quarto lá em Londres com a Sandra, nossa flat-mate. Nenhum contrato de locação, nenhuma assinatura, nenhum depósito adiantado, nenhum fiador. Nada, apenas a minha palavra de que pagaria o aluguel todo o mês e que quando quisesse sair teria de avisá-la com um mês de antecedência. Simples assim.
As relações trabalhistas aqui no Reino Unido também parecem seguir essa linha e, portanto, são bastante diferentes das existentes no Brasil. Na agência para a qual trabalhei como garçon, a Blue Arrow, apresentei meu passaporte e preenchi um formulário, porém, aqui no West Highland Hotel foi bastante diferente e até curioso para nós brasileiros, acostumados com a burro-cracia típica. Não sei se em todos os lugares aqui da Escócia a coisa é assim ou se aqui é da maneira que é por Mallaig ser uma cidade muito pequena e as pessoas terem hábitos interioranos, também.
Conseguimos (a Ju e eu) nossos empregos aqui através de um site na internet, o Gumtree – acho que até já comentei isso no blog. No total foram trocados três e-mails com hotel e estávamos empregados. Ao chegarmos imaginei que iriam nos pedir os passaportes, uma carta da escola para a Ju atestando que ela estava de férias e, portanto, gozava do direito de trabalhar full time, mas não. Apenas preenchemos um simples formulário. Ninguém pediu uma cópia de documento uma carta de referência, nada. Não pensem que estamos trabalhando ilegalmente por causa disso. O tal formulário era um tipo de registro, uma maneira do governo saber quantos trabalham num determinado local, quanto ganham e quanto se pode arrecadar através de impostos. Porém, nada além disso.
O cotidiano também é baseado na confiança mútua: ninguém controla a quantidade de horas que fazemos. Apenas registramos o tempo trabalhado numa tabela xerocada que fica em nosso poder, dentro de nosso quarto. A entregamos todas as terças-feiras para se fazer o cálculo do valor que recebemos semanalmente.
No entanto, acho que tanta confiança assim abre uma certa brecha para pessoas que, digamos, não estejam fazendo as coisas tão certas como se deveria. Acho que não é a toa que trabalham conosco tantas pessoas de países que ainda não estão na comunidade européia.
Porém, nada por aqui despertou tanto a nossa atenção (falando apenas da Ju e eu) como o nosso colega Canlor, o “português” que fiz referência a alguns posts atrás e agora explico as aspas.
Assim que chegamos nos disseram: “tem um português trabalhando por aqui. Vocês falam a mesma língua que as pessoas de Portugal, não?” Achamos interessante. Fomos, então apresentados ao Canlor, que fala um inglês perfeito e vive atualmente em Manchester. Numa ocasião em que eu conversava com ele, não soube dizer uma certa palavra em inglês e usei a palavra em português para me expressar. De pronto ele fez uma cara estranha, como se nunca tivesse ouvido aquilo antes.
Noutra ocasião perguntei a ele sobre qual cidade de Portugal ele era e outras curiosidades que tinha. Coisas bobas, sem nenhum compromisso, mas que não foram respondidas. Ele rodeou e escapou da resposta simples a uma pergunta simples. Comecei a desconfiar e parei de perguntar coisas sobre Portugal. Ele é uma pessoa legal, quieto, diferente das megeras que habitam os alojamentos dos staffs. Passamos por algumas situações chatas com outras pessoas, do tipo “conversem um pouco em português para a gente ouvir como é…”
Tudo se tornou extremamente claro quando ele me emprestou seu MP3 player para que copiasse algumas de suas músicas e recarregasse-o na saída USB do computador. Selecionei todos os arquivos de seu MP3 e dei o comando para tocar tudo. Queria ouvir as músicas que ele tinha. Imediatamente o computador abriu três arquivos que não eram MP3, mas sim do Acrobat. Um deles era um formulário de imigração da Nigéria para o Reino Unido. Não li nada, apenas fechei, mas entendi tudo.
Não comentei nada com Canlor para não constrangê-lo, mas tenho convicção que português ele não é.
Nada contra ele, como já disse. Conto essa história apenas para explicar o porquê das aspas, esperando que ele consiga tudo o que quer e precisa da melhor maneira possível.
Só uma coisa: não contem nada a ninguém, por favor!

17

de
setembro

O Frio mora aqui

Queridos leitores:

quem por ai gosta de passar um friozinho e, nos finais de semana de inverno corre para as montanhas da Mantiqueira (para quem mora no Sudeste) pode comecar a planejar uma viagem para um lugar que realmente faz frio: Mallaig. Visitem o site da BBC (http://www.bbc.co.uk/scotland/highlandsandislands/) se nao acreditarem, mas para hoje a previsao do tempo indica uma temperatura de -4!!Observacao: lembrem-se que apesar de estar nas Highlands, estou ao nivel do mar e que essa semana ainda e verao por aqui.

Bbbbbbrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!

 

17

de
setembro

Domingo e dia de corrida

Com a alta temporada terminando por aqui, ao contrário do que acontece no Brasil, nos fins de semana as coisas são muito mais tranqüilas no West Highland Mallaig Hotel que nos “dias úteis”. Sentimos o fim da temporada não só no trabalho, que fica mais ameno nessas ocasiões, mas também na temperatura, que por aqui está já nos padrões do outono deles. As condições do tempo também avisam que o verão está ficando para trás: há alguns dias não vemos o sol e a paisagem que vejo da janela sobre a pia na qual trabalho se modificou: de um visual claro, limpo e colorido do mar e céu azuis com a ilha de Skye e suas montanhas ao fundo para uma paisagem opaca, acinzentada que na maior parte do dia, devido a nevoeiros, não permite ver, sequer, o mar. O que se vê claramente é apenas o que está mais próximo como a grama do hotel, que ainda permanece verde, a rua de asfalto bem preto, algumas árvores e alguns telhados, que se tornam ainda mais nítidos por estarem quase que 100% do tempo molhados pela chuva ou pela garoa fina trazida pelo vento forte.
Neste domingo não foi diferente e as cenas do domingo passado se repetiram. A cozinha encerrou as atividades cedo, pois não havia almoço a ser servido no restaurante. Assim, corri com o trabalho para poder ver o Grande Prêmio da Bélgica de Fórmula 1 pela TV. Neste domingo melhor, pois a “Scuderia Ferrari” venceu com dobradinha. Porém, senti algo que já havia sentido no domingo anterior: uma enorme saudade de assistir as corridas no Brasil. Não digo no autódromo de Interlagos, local que adoro, principalmente por haver estado lá em muitos episódios felizes da minha infância com meu pai e com meu Tio Orlando assistindo corridas de Stock Car, Mil Milhas e outras porcarias automobilísticas que tanto me fascinavam. A saudade a que me refiro é a de simplesmente assistir as corridas pela televisão. Sem querer ser repetitivo por adiar mais uma vez a conclusão do pensamento; não me refiro a assistir às corridas em minha própria casa sozinho ou acompanhado do Paco, meu amigo canino que já mencionei aqui no Blog.
Essa saudade é específica e as corridas vistas daqui me fazem lembrar as frias manhãs de domingo (não que as corridas sempre ocorram de manhã e no frio, porém, a temporada européia da F1 ocorre quando é inverno no Brasil e com uma diferença de horário de quatro ou cinco horas a mais, o que faz com que sejam transmitidas às oito ou nove da manhã) quando meu pai ia ao meu quarto me chamar: - “Fá vai começar a corrida. Você vai assistir?”. Botava uma roupa e descia as escadas geladas de mármore e me sentava ao seu lado no sofá. A TV já estava ligada e ele também, sempre criticando e comentando sobre o que se dizia na TV. Assistimos juntos muitas voltas de apresentação e muitas apresentações de muitos pilotos. Lembro-me que desde muito criança assistia às corridas com o paizão: sabia o nome dos pilotos que sempre foram de diversas nacionalidades: Niki Lauda, Carlos Reutmahn, Ronnie Petterson, Diddier Pirroni, Gilles Villeneuve, Renè Arnoux, Jaques Lafite. Depois de mais crescido Nelson Piquet, Ricardo Patrese, Nigel Mansel, Alain Prost, Jean Alesi e claro, Ayrton Senna. Estávamos juntos, inclusive, quando num dia primeiro de maio assistimos com uma imensa aflição o acidente na curva Tamburello.
Tínhamos um ritual: esperávamos a largada e depois corríamos à cozinha para pegar as coisas do café da manhã, que comíamos na sala, mesmo, na frente da TV: café com leite, bolo, biscoitos. Nas últimas vezes que fizemos isso estávamos esperando o fim da corrida para tomar café juntos na cozinha, muitas vezes na companhia de minha mãe, que nunca se interessou muito por essa história de acordar cedo e ver corrida (ambas).
Tudo isso, esse cenário, os comentários quase sempre indignados de meu pai, as perguntas que ele fazia no exato momento em que o locutor estava dizendo a resposta e ambos ficávamos sem saber qual era, a televisão baixinha para não acordar ninguém, o café com leite, a cumplicidade e a amizade que temos dão uma saudade danada.
Anote aí na agenda, Paizão: ano que vem, quando eu estiver por aí, vou dormir na sua casa só para ver uma corrida com você! E “Forza Ferrari!”

10

de
setembro

God give Rock and Roll To You!

Aprender o inglês tem sido uma coisa interessante. Nunca freqüentei uma escola de inglês. O mais próximo que cheguei disso foi uma vez, e lá se vão acho que até mais de vinte anos, que, quando passava uma semana de férias na casa do Alê, meu primo que morava em São Bernardo do Campo, o acompanhei à sua última aula do ano na Fisk. Lembro que escutamos a música de natal do John Lennon “… a very Merry Christmas and a happy new year…” sempre que escuto essa música lembro daquele dia. Nunca mais, depois disso entrei numa escola de inglês. Sempre achei besteira e na verdade mais que isso, nunca me interessei.
Na adolescência, no entanto, conheci um tal de Pink Floyd que nem sabia direito se era uma pessoa ou uma banda (como costumam confundir a banda Jethro Tull com um cara). A banda inglesa Pink Floyd fez com que me virasse como podia para tentar decifrar o que suas músicas que tanto me encantavam e ainda me encantam queriam dizer. Muitas outras que acabei conhecendo depois do Floyd também contribuíram para isso: Rush, Genesis, Yes, Beatles, Ramones, Peter Gabriel, Jethro Tull, Whitesnake, The Who, U2, Police, Supertramp, Metallica e muitos outros. Sempre foi muito legal escutar as músicas e decifrá-las aos pouquinhos, sempre um pequeno mistério a ser desvendado.
Foi através das músicas dessas e outras bandas de rock que aprendi o inglês com o qual cheguei aqui no Reino Unido. Não era pouco até, pois consegui emprego por aqui antes de completar uma semana nessas terras.
Não que eu entenda absolutamente toda a letra de uma música que ouça no rádio ou no computador hoje, mas é infinitamente mais fácil entender o que ela quer dizer. Não que tenha perdido a graça (ou que isso ainda acontecerá) de ouvir músicas em inglês por não ter mais que desvendar no que o compositor quis dizer, mas simplesmente ficou mais comum.
Estou escrevendo tudo isso para dizer que hoje, ao ouvir uma música dos Beatles me emocionei muito. Nunca tinha escutado-a com a devida atenção.
Acho que estou mais sensível, sim. A saudade que tenho dos amigos, da família e dos “meus” lugares é grande e contribui para aumentar essa sensibilidade, mas que essa música, principalmente esse trecho que transcrevo a seguir para vocês, tem muito a ver com tudo o que estou sentindo agora, tem. E muito. Pegue seu CD dos Beatles ou selecione a música em sua lista em seu computador e acompanhe, se quiser.

“There are places I remember
All my life those some had change
Some forever not for better
Some are gone and some remain

All these places are their moments
With lovers and friends, I still recall
Some are dead and some are living
In my life I’ve loved them all…”

Não sei o nome dessa música, mas acho que meus pais, meu amigo Beatlemaníaco, Duda ou Sobral podem me ajudar. Qual o nome dessa música?
See you!

10

de
setembro

The Wall

Hoje foi nosso dia de folga ou day-off, como chamamos por aqui. Não fizemos quase nada, pois o tempo estava muito, mas muito ruim. Aproveitamos para descansar. Voltamos para o quarto após o jantar. E é sobre o jantar que quero falar. Não apenas o jantar em si, mas o ato de se fazer as refeições por aqui.
O café da manhã tomamos quase todos os dias com duas garotas da Lituânia, Ruta e Erika. Não conversamos muito, pois o sono, acredito que principalmente o meu, não deixa. Ambas têm 20 anos e é a primeira vez que saem de seu país e trabalham fora. Ruta trabalha no housekeeping, com a Ju; e a Erika lavando lençóis e toalhas nas máquinas da lavanderia. Quem mais trabalha com a Ju e a Ruta é a Kady, uma garota da Estônia. Na cozinha trabalhamos em quatro ou cinco, dependendo do dia: eu, a chef Giulian, o sub-chef Dan e o rapaz que opera a máquina de lavar pratos e copos, Canlor. Brasileiro, Escocesa, Tcheco e “Português”, respectivamente (uma outra hora explico o português entre aspas). Nos dias mais atarefados os chefs contam com a ajuda da Becky ou do Rudy ambos escoceses, aqui mesmo de Mallaig. Completam o quadro de staffs as meninas que trabalham como garçonetes no restaurante do hotel: Monika, polonesa; Sarah (que já foi embora), australiana; Monique, sul-africana e outras três ou quatro mulheres aqui de Mallaig, que por esse motivo não moram, nem fazem as refeições aqui conosco.
Como dizia no início, a hora das refeições é quando todos, ou quase todos, se encontram e, por conseqüência seria a hora que todo o mundo interagiria mas… Desde que chegamos, nas refeições há um silêncio sepulcral. Vez ou outra sai um comentário sobre a comida, geralmente negativo (uma vez que os chefs não comem conosco). É estranho. Talvez esse silêncio expresse o que cada um espera de sua inter-relação pessoal por aqui, ou para si, onde quer que vá. Nada de envolvimentos. Não transpasse a grande muralha que me cerca (alguém aí já assistiu The Wall?).
Infelizmente as relações por aqui parecem ganhar uma certa profundidade apenas a medida que se discute, comenta e se opina sobre a vida alheia. Olhos atentos a cada movimento, ouvidos de cão de guarda, sempre preparados para captar qualquer coisa. Línguas afiadas prontas a disparar para todos os lados, inclusive em seus próprios aliados.
Conversando com a Ju sobre isso ela levantou algo que pode ser a pura verdade: estamos numa miniatura de cidade, vivendo aqui dentro desse hotel. Pouquíssimas pessoas, quase nenhum entretenimento, nada para se preocupar além do seu trabalho – que não força muito seus pensamentos. Será que é uma síndrome de pequenas comunidades ou será que é pura maldade das pessoas?
Qualquer que seja a resposta para esse acontecimento ou síndrome sociológica, preferimos (a Ju e eu) ficar de fora disso. Não nos deixamos entrar em assuntos mais pessoais, não ficamos muito aqui pelo hotel quando não estamos trabalhando. Alguém aí já ouviu Another Brick in the Wall?
De qualquer maneira, mesmo com nossas paredes grossas e altas, estamos bem e não sentimos isso como um problema. Temos uma boa relação com todos, sabemos que aqui é passageiro – e está passando rápido – e que somos privilegiados por podermos conhecer e desfrutar da maravilhosa região, muito pouco visitada por brasileiros (não avistamos nenhum por aqui até agora).

5

de
setembro

Apresentando

Desculpem os que tem acompanhado meu blog mas nao me conhecem pessoalmente. Nao me apresentei em nenhuma parte do blog e acho que quase passou a hora. Mas ainda em tempo:

Sou paulistano nascido em 28 de maio de 74. Biologo formado pelo Mackenzie em 99 me especializei em Gestao Ambiental na USP em 2000.

Sou casado com a Ju (Juliana) desde janeiro de 2006 e moramos na Aclimacao, na capital paulista. Na verdade moravamos. Estamos no Reino Unido agora. Chegamos em Londres, onde ficamos cerca de 3 meses e depois partimos para uma cidadezinha ao noroeste da Escocia chamada Mallaig, localizada nas Highlands, um lugar maravilhoso e singular. Viemos para ca para estudarmos ingles, para a Ju cursar seu doutorado e para conhecermos um pouco mais do nosso mundo, das pessoas, das culturas e de tudo o mais que nao era possivel conhecer e vivenciar morando apenas em um lugar (mesmo que esse lugar seja uma cidade tao cosmopolita como Sao Paulo). O resto e historia e esta sendo contada no blog.

Temos um acesso muito restrito a internet e por isso o blog demora pelo menos uma semana para ser atualizado, e quendo e, muitas vezes fica assim, sem acentos. Acho horrivel ler textod dessa maneira, mas antes posta-los assim que nada, hehe.

Fiquem a vontade para comentarem e se precisarem de dicas, conselhos sobre viagens, etc., nao hesitem em, perguntar. Cheers!

5

de
setembro

Algumas imagens

Oi Pessoal, vamos ver como ficam as imagens por aqui. Se ficarem boas, a cada novo post que fizer a partir de hoje adiciono imagens daqui, ok?

Sao duas imagens, na verdade: a paisagem e no caminho de Glasgow ate Mallaig, em algum ponto da maravilhosa estrada nas Highlands. A segunda somos eu e a Ju na hora em que descemos do onibus, na frente do Hotel em que estamos trabalhando.

1

de
setembro

Parabens a voce

São muitas as lembranças que tenho de você. De criança, de adolescente, de adulta. Sempre boas, sempre positivas, sempre referências. Sim referências. Precisamos delas em nossa vida. Através delas moldamos nosso jeito de ser, nossas atitudes, esculpimos nosso caráter, traçamos o que queremos para nós e para quem nos cerca.
Não sei se lembro quando você apareceu ou se apenas lembro do que me contaram, ou ainda das fotografias. Acho que todo o mundo tem guardado na memória fatos, acontecimentos, passagens que às vezes não têm a mínima importância, mas que não se tem certeza se de fato aconteceram , alguém contou ou ainda se você sonhou com aquilo. O que sei é que a partir do momento que você chegou, minha (ainda breve) vida mudou completamente.
Nem passava pela minha, tampouco pela sua cabeça o que significaríamos um para o outro, o que compartilharíamos, o que viveríamos daquele tempo em diante.
As primeiras lembranças que tenho são o inverso do que somos hoje. Éramos inimigos. Não que houvesse qualquer sentimento ruim entre nós, apenas éramos crianças com uma grande diferença de idade e sexos opostos. Não queria e não gostava de vê-la brincando com meus “Matchbox” e ficava histérico se mexesse no meu autorama do Émerson Fittipaldi. Não era ciúmes ou egoísmo, mas o problema é que você era um desastre e tinha uma mãozinha pesada, desproporcional ao seu tamanho. Geralmente quebrava as coisas mais delicadas que mexia. Posso falar isso no passado?
Brigávamos, como normalmente as crianças fazem (espero que ainda façam). Nunca saímos no tapa prá valer, mas gostava de deixá-la me bater para poder ter razão e ter o direito de revidar sem culpa. Nada sério, não me entenda mal, leitor, por favor. Apenas coisa de criança.

O tempo foi passando e as lembranças se modificando: lembro de você em sua imensa bicicleta Ceci branca, aquela com cestinha e tudo o mais, apostando corrida com a molecada da rua, lembro de você subindo nas árvores e muros, feito moleque. Lembro de você rindo, com bochechas vermelhas, cabelos loiros e olhos de um azul profundo que faz inveja. Lembro de sua espontaneidade que pouco restou e de sua alegria que ainda carrega no coração. Lembro muito das palavras amigas na adolescência, das conversas que tínhamos às noites, das aflições e prazeres compartilhados, dos conselhos, das opiniões, das forças.
Lembro do carro compartilhado e das brigas que isso trouxe, mas que foram embora com ele, de seus namorados que se tornaram meus amigos, das minhas namoradas que se tornaram suas amigas. Das viagens que fizemos juntos e da que não fizemos.
Lembro que você cresceu, ficou séria, às vezes até demais. Tem carro tem apartamento tem bom emprego. Pensa muito em tudo analisa a fundo cada passo e às vezes não percebe que pode pegar mais leve, e deixar a vida levá-la um pouquinho mais. Ninguém é perfeito.
Acredito ser uma pessoa abençoada. Não lembro de conhecer alguém que tenha um relacionamento tão franco, e próximo com um irmão. Não acredito que haja amor entre irmãos muito mais forte que o nosso.
Hoje aquela grande diferença de idade se resume a míseros 3 anos. Não é nada. Acredito até que você tenha me ultrapassado, não em anos, logicamente, mas em maturidade. … e faz tempo!
Quero que saiba minha irmã querida que sempre estarei ao seu lado, mesmo que esse lado esteja a uns 15.000km de distância.
Esse post é para você e para que todos saibam que você é mais que uma irmã de sangue, é uma Amiga, a mais antiga das minhas amizades. E bota antiga nisso, hein, trintona!
Um beijo enorme, com todo o amor, do seu irmão/Amigo.

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