BLOG DO FÁ SAMORI

As experiências, sensações e aventuras de alguém que saiu do Brasil para experimentar o mundo.

12

de
agosto

Tédio com um T

Procuro por coisas para fazer. Não as encontro em lugar algum. A rotina completamente vazia, oca, faz com que as horas se neguem a passar. Nem os gritos dissonantes de Olga do Toy Dolls no som me divertem ou entretém.

A agonia não é simples de ser vencida. A cada minuto, que parece durar cinco, sinto-me mais afundado, mais imerso num tipo de lodo, que impede meus movimentos, torna-os lentos. Entra pelas minhas narinas, boca. Chega ao meu cérebro e faz o mesmo com meus pensamentos. Lerdos, pesados. Não vão muito longe, têm preguiça. Como transpor isso?

Livros, televisão com cinco canais. Língua que não domino, pessoas desinteressadas em construir amizades, calotes.

A inexistência de um canal de comunicação – leia-se internet – é perturbadora. Fico imaginando se a tivesse por aqui o que poderia fazer: comunicar-me diretamente com meus verdadeiros amigos e família, pesquisar agências de turismo para tentar um negócio com um amigo do Brasil, pesquisar locais para se comprar uma bicicleta usada por aqui, etc..

Que merda. Estou no meio de um círculo vicioso, no olho do furacão do tédio, onde nada acontece, nada muda, nada surpreende, nada interessa, nada.

Cada um por aqui te sua vida. Não sei se por excesso de respeito, não sei se por egoísmo. Adoro minha flat mate, mas nossa convivência restringe-se às paredes do apartamento. Não transcende. Cairia bem um passeio com alguém. Ela, sendo uma pessoa muito divertida, seria ótimo. Mas se despediu e saiu.

Até mesmo essa minha posição letárgica, sentindo-me vítima das confluências da vida. Como transformo isso? O que fazia no Brasil que não posso fazer por aqui? Sabia da importância dos meus amigos, mas não imaginei que chegasse tão longe. Como é importante termos outras pessoas com quem falarmos, com quem até mesmo discordarmos de suas idéias, com quem compartilharmos sentimentos.

A sensação de estar sozinho se abrandou com a chegada da Ju, claro. É importantíssimo tê-la comigo. Ela me completa e é cúmplice. Me apóia, me dá forças. Esta semana, porém, duas coisas coincidiram: o término do meu curso e o início de um outro curso que ela resolveu fazer. Sai às 11 da manhã de casa e retorna lá pelas 21h. Voltei a sentir-me quando ela não estava por aqui ainda. Um nó na garganta constante, agonia, raiva, tédio, desânimo.

Acho que sou muito dependente de outras pessoas. Talvez precise aprender a me virar um pouco melhor sozinho. Mas é bem difícil e tem outra coisa: não gosto de estar sozinho. Será que isso é tão absurdo assim? Tenho esse direito, né?

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1 Comentário »

  1. Comentário por Selma. — 7 de outubro de 2007 (17:24)

    Dá um nó na garganta de ler novamente este tópico.
    Que bom que já passou!

    Bjs.

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