BLOG DO FÁ SAMORI

As experiências, sensações e aventuras de alguém que saiu do Brasil para experimentar o mundo.

12

de
agosto

Nova semana, nova Amiga

Acho que há muito tempo não me sentia assim. É verdade que com a chegada da Ju as cores também voltaram, porém, acho que depois do roubo da minha bicicleta as coisas não andaram muito bem.

Como viram no último post não tive uma semana muito legal. O tédio e o desânimo se abateram sobre este que lhes escreve. Porém, a sexta feira trouxe chuvas pesadíssimas. Tempestades pela manhã que inundaram diversos locais pela Inglaterra toda. Trouxe também a mudança. Assim como após a tempestade da manhã o sol brilhou implacável no céu azul da cidade, como se o dia simplesmente houvesse amanhecido daquele jeito, meu corpo já não sucumbia mais ao tédio e à letargia vividos nos quatro últimos dias.

A Ju, Sempre Minha Ju, me deu de presente: um dia de folga. Não foi à escola. Levantamos e saímos, no tempo enfezado, mesmo. Fomos para onde ainda não havíamos estado: Natural History Museum, Tate Modern. Maravilhosos. Vimos coisas interessantíssimas: no Museu de História Natural sou suspeito para falar. Biólogo que sou, desde os dinossauros até os mamíferos tudo é absolutamente interessante, intrigante. Tudo ali é didático e por isso a grande quantidade de crianças que visitam. Mesmo o que é ou foi complicado de explicar é, lá, fácil de entender. Iguais à ala que visitamos existem mais três ou quatro, porém, apenas essa nos tomou quatro ou cinco horas. Como ver tudo num dia? Voltaremos, aproveitando que a entrada é sempre gratuita!

Mudamos do conhecimento mais tradicional para o conhecimento social, mixado com arte, design e questões sociais. Saímos lá pelas duas da tarde do MHN, comemos uma coisa qualquer de Doritos com chá gelado e fomos ao Tate Modern, um museu de arte contemporânea, que ficamos sabendo depois, é o maior do mundo. Como no outro, visitamos uma pequena parte: uma exposição intitulada Global Cities que nos tomou todas as atenções e deixamos para visitar o restante do museu outra hora. Questões urbanísticas, sociais, culturais, de saúde, design, etc., originadas de um tema central relativo à taxa de crescimento e densidade demográfica de 10 cidades no mundo (Cairo, Istambul, Johanesburgo, Los Angeles, Cidade do México, Mumbai, São Paulo, Xangai e Tóquio) expostas de uma maneira interessantíssima e linda nos fizeram matar um pouquinho a saudade de São Paulo e vê-la (a cidade) pela primeira vez, sob aspectos muito interessantes, daqui. Confesso que me decepcionei um pouco pela cidade que tanto amo. Acho que começo a enxergar as coisas de uma maneira diferente, não sei.

De qualquer maneira, ao voltarmos para casa decidimos uma coisa: tiraríamos o fim de semana para procurarmos e encontrarmos uma bicicleta para mim. A princípio não estava muito favorável por causa do dinheiro, mas a Ju argumentou bem sobre a economia que uma bike nos traz, a época do ano propícia ao pedal e me convenceu num convencimento conveniente. Íamos, como fomos, sábado ao mercado da Portobelo Road e no domingo no Brick Lane Market. Nada interessante no sábado, apenas um delicioso brownie e um honesto (parafraseando um querido amigo) café expresso, como há muito não tomamos. O mercado da Portobelo Road, que dizem ser um dos maiores da Europa, possui coisas mais finas que no mercado da Brick Lane. Antiguidades, roupas, muita coisa, mas com certa qualidade. Na Brick Lane a coisa já é mais despojada e, acho que até já falei sobre isso, vende-se até coisas roubadas por lá.

Assim, domingo cedo estávamos na Brick Lane. Demos uma volta procurando em cada cantinho. Vi coisas ruins caras e baratas, coisas boas caras e coisas boas baratas e interessantes, porém suspeitas. Acho que eram roubadas e deixei de comprar por 60 pounds uma bicicleta híbrida (como existem muitas por aqui) de boa marca e muita qualidade. Levíssima, provavelmente, como foram as mãos que a levaram até o mercado. A tentação foi grande, mas frente ao olhar confuso da Ju para mim, quase como uma reprovação cercada de dúvida, desisti.

Estávamos voltando, já após percorrer todas as entranhas do mercado (que também é muito grande) quando entramos, como última alternativa, num tipo de uma lojinha, uma garagem, não sei o que é aquilo. Um depósito, talvez. Sei que em meio a móveis velhos, lâmpadas de mercúrio queimadas, madeiras velhas, poeira, pneus e toda a sorte de cacarecos havia algumas bicicletas. Algumas boas, outras muito boas, mas bem caras e uma, que estava atrás de uns móveis e chamou a atenção da Ju. “E essa aqui fá?” Eu e minha nuvenzinha preta: “Amor essa é uma Trek, custa muito caro, vambora.” Pensei na minha frase e vi o quão idiota era. Custava perguntar? E era barata, na verdade era exatamente o que eu queria gastar, 200 pounds, numa bike 2006, muito bem conservada, que valia nova, 750 - 800 pounds.

E foi isso. Voltamos para casa, eu feliz da vida, com uma folder bike, ou bike dobrável, excelente, num modelo que ainda não havia visto, mas que superava o modelo que eu estava namorando, mas nunca encontrei usado à venda, a famosa Bromptom.

Como dizia, acho que há muito tempo não me sentia assim. Pude fazer coisas que me dão muito prazer, desmontar, limpar peça por peça, re-montar e regular a bicicletinha toda e o mais legal, preparar-me para uma semana melhor.E quero deixar uma coisa registrada, um agradecimento, na verdade. Não pela bike, mas pelo gesto. Não por educação, mas por amor. À minha Ju, linda, que sempre me apóia, me incentiva e me dá força, sempre. Te amo muito. Valeu!

Arquivado em: Sem categoria I

Nenhum Comentário »

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Feed RSS dos comentários deste post. URL de TrackBack

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://fasamori.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.