BLOG DO FÁ SAMORI

As experiências, sensações e aventuras de alguém que saiu do Brasil para experimentar o mundo.

22

de
agosto

London to Mallaig I

Chegamos nessa extremidade noroeste da Escócia após cerca de dezesseis horas de viagem, vindos de Londres.
A última lembrança de Londres nos afasta ainda mais daquela cidade: na rodoviária, a impressão de que a empresa de ônibus National Express havia vendido mais passagens do que a quantidade de poltronas nos ônibus. Uma massa de gente se acotovelando para poder pegar um lugar no ônibus que havia acabado de estacionar no ponto de embarque. A Ju e eu, brasileiros que somos, conseguimos nos esgueirar pela montoeira de gente que reclamava, bufava, não se conformava e embarcamos após termos deixado a enorme mala, uma mochila grande e minha bicicleta dobrável no porta malas do coletivo. Porém, uma surpresa: sem lugares marcados não havia lugares juntos, assim sentamos separados. Muito chato. O ônibus um horror: poltronas estreitas, que reclinavam quase nada aumentavam nossa indignação. Para uma viagem que duraria 8 horas pela madrugada não seria nada fácil naquelas condições. Mesmo assim, o ônibus partiu, acredito que deixando muita gente na rodoviária a ver navios (ou seriam ônibus?). Até hoje, passada uma semana do ocorrido a Ju e eu nos perguntamos: “o que custa a eles venderem passagens com lugares marcados como se faz no Brasil?” Mais uma trapalhada inglesa para a listinha.
A viagem foi cansativa sim: sentei ao lado de um indiano que ficava se encostando em mim. Como não havia apóia-braço entre uma poltrona e outra o jeito era um “excuse me, sir” para acordá-lo e fazê-lo perceber que não estava em sua casa. Muito chato! Um senhor árabe, à frente roncava feito um porco. Uma hora ele deu uma pausa no ronca-ronca pois mudou sua posição levantando seu braço esquerdo e apoiando-o sobre a testa. Não sabia o que era pior: o barulho de seu ronco ou o odor que emanou após levantar o braço. Que nojo!
Chegamos em Glasgow às dez para as sete da manhã, finalmente. O frio era cortante e tentamos nos abrigar num banco da rodoviária. Fui comprar os bilhetes para Mallaig e a primeira boa impressão escocesa: fui muitíssimo bem atendido pelo funcionário da City Link a empresa de ônibus que faz o trecho. Cordial e simpático, sem a cara fechada e a cordialidade forçada e mecânica dos ingleses ele explicou com muita paciência e um inglês totalmente diferente que teríamos que trocar duas vezes de ônibus.
E assim seguimos. A estrada até Fort William é absolutamente maravilhosa, atravessando as Highlands. Montanhas belíssimas, muito diferentes das brasileiras pois a vegetação daqui é composta apenas por gramíneas, rasteira. Assim é possível ver com nitidez os desenhos esculpidos por milhares de anos pelas águas que escorrem pelas encostas semi-nuas e deságuam em rios turbulentos e cristalinos. Paisagens de sonhos, de filmes épicos, de cartões postais. Infelizmente o ônibus não pára para fotos, mas quem passa por estes lugares com seu carro, moto ou bicicleta (muitos cicloturistas por aqui) param em pontos especialmente preparados para tanto. Chegamos em Fort William e trocamos pela segunda vez o ônibus (a primeira foi uma troca no meio da estrada, num povoado pequeno, o qual esquecemos completamente o nome rebuscado. Dessa vez pegamos um micro-ônibus guiado por Mr. Jack, um senhor muitíssimo simpático que dá a impressão de conhecer todos os moradores e lugares da região. É quase um guia turístico. Conosco estavam um grupo de mochileiros franceses, dois garotos belgas (mochileiros, também), uma senhora e um senhor (provavelmente daqui). Todos os mochileiros conversaram com Mr. Jack para saber dos melhores pontos para se descer e curtir os lugares nos desembarcariam. Porém, presenciamos e vivenciamos com enorme prazer e felicidade a diferença absurda de se estar em um lugar pequeno com pessoas educadas e em paz com a vida e se estar em uma grande e caótica ônibus no acostamento da mão oposta. A Ju, eu e os belgas nos entreolhamos e não entendemos nada. A seguir o motorista pôs o ônibus em marcha ré fazendo-o entrar por uma porteira que estava aberta e subir por uma estrada até uma casa que a vegetação (nesse trecho mais alta) encobria. Parou em frente a porta de entrada. Era a casa da senhora que estava no ônibus e tinha certa dificuldade para andar. Ele desceu, ajudou-a a descer do ônibus, retornou, pegou as compras que ela havia feito em Fort William, levou até a cozinha da casa, se despediu e retornou ao ônibus, que retornou ao seu caminho. Fantástico! Onde e quando poderíamos ver uma coisa desse tipo numa grande cidade? Começávamos a gostar muito do que estávamos vivendo…

22

de
agosto

Uma vila de pescadores

Uma vila de pescadores, nada além disso, ou talvez muito mais do que isso, se você imaginar o que (brasileiros que somos) costumamos imaginar quando usamos essa expressão. Mallaig é linda. Minúscula. Um porto preparado para receber barcos de pesca (e não tenha na cabeça a imagem daquelas canoas a motor usadas no Brasil, os “to-tó-tó’s” da vida, os barcos de pesca por aqui sao absurdamente equipados), algumas embarcações turísticas e uma imensa balsa, conhecida por aqui, como por aí como ferry.
Mil e duzentos habitantes, uma biblioteca como único local com acesso a internet (discada, provavelmente pela lerdeza da conexão), uma escola, um centro de lazer com piscina (aquecida, claro), algumas lojinhas, alguns restaurantes e hotéis. Não muitos, nem muito luxuosos.
O local é bastante freqüentado por famílias e mochileiros que vêm acampar ou estacionar seus trailers e motor homes pelas estradas ou campings. O barato por aqui é andar. Conhece-se muita coisa a pé. A beleza dos morros e colinas, cravejados de rochas e com uma vegetação rasteira, a proximidade com o mar azul de águas claras e a infra-estrutura turística com trilhas bem sinalizadas, mapas, recomendações, etc., facilitam e embelezam a viagem de quem faz turismo por aqui. Logo mais, mais detalhes e coisas interessantes sobre Mallaig e as ilhas por aqui!

12

de
agosto

Bye London, hello small Mallaig

Depois de amanhã Londres será passado. Talvez fosse em tempo, talvez não, mas isso apenas as horas, os dias e os meses dirão.
O furor, os acontecimentos, a agitação, a diversidade de povos e línguas, a falta de identidade, o caos urbano, o tube, o Big Ben, Golders Green e seus parques, a companhia esporádica, porém divertidíssima da Sandra, serão substituídos. Em seus lugares o litoral norte da Escócia, Highlands, beira mar, uma cidade turística que mais parece uma vila de pescadores, provavelmente mais tranqüilidade, hospedagem e comida gratuitas, dinheiro e um emprego, ou melhor dois, uma para mim e outro para a Ju em um hotel.
Há pouco tempo começamos a pesquisar no famoso site Gumtree oportunidades de emprego para casais. Há muito disso por aqui: caseiros, gente para cuidar de jardins, crianças, animais, e tudo o mais.
Nada proposital a saída de Londres, mas aconteceu e vamos encarar.
Minha impressão: estou muito feliz. Finalmente estaremos trocando uma cidade grande por uma cidade pequena, turística e no litoral, coisa que a gente sempre pensou em fazer, mas nunca pôs em prática. De São Paulo para Londres foi trocar seis por meia-dúzia no que se diz respeito à urbanicidade (um parênteses: sei que essa palavra não existe, mas desde a primeira vez que a mencionei numa conversa à toa, acho que encontrei uma maneira de descrever um conceito que encerra a vida atribulada, a correria, o stress, o ruído, a poluição, os benefícios, os malefícios, enfim, todas as características da vida numa grande cidade. Que me perdoem os intelectuais de plantão.) Não alteramos muito nossa rotina: precisamos trabalhar para ter dinheiro para pagar as contas para ter tranqüilidade que é suprida pelo nosso conforto que adquirimos com dinheiro que adquirimos quando trabalhamos. Assim, tudo junto, sem vírgulas e sem interrupções. A corrida dos ratos numa roda, muitas vezes dentro da gaiola.
Vou trabalhar na cozinha do hotel enquanto a Ju trabalhará como camareira. Bom? Ruim? Não sabemos ainda. Novo, certamente; e isso tende a ser bom. O que será muito bom, é que nos livraremos de gastos com aluguel, alimentação e transporte, ou seja, tudo o que gastávamos aqui em Londres, não gastaremos por lá. Vamos conseguir juntar um dinheirinho.
Ficaremos por lá até fim de outubro, quando o hotel fecha e quando provavelmente o frio chega de verdade. Acho também, que mudarei meus conceitos de frio e calor por lá. Deve ser um lugar gelado!
Ao mesmo tempo que me sinto um tanto chateado em mudar novamente, hábitos, confortos, companhias, estou empolgado, principalmente pelo lugar. Comentei com a Ju ontem, que isso será uma experiência totalmente nova pois em Londres, de certa forma, sabíamos as coisas que veríamos. Fomos bombardeados a vida toda com a imagem do Big Ben, dos ônibus de dois andares, etc.. Claro que Londres não se resume a isso, mas, concorda comigo que é muito diferente ir morar em Londres e ir morar em Mallaig? Quem já ouviu falar nesse lugar?
Não nos considero Capitão Kirk e Lara Croft, mas é bem diferente uma coisa da outra. Vejam vocês mesmos esse lugar: http://www.undiscoveredscotland.co.uk/mallaig/mallaig/index.html
Não sei se teremos acesso à internet, mas à medida do possível, fotografaremos e mandaremos sinais de vida!

12

de
agosto

Rickshaw I Pré Impressões e Realidade

Lembro de ter visto o primeiro rickshaw a primeira vez em que estive na Leicester Square. Sim, definitivamente essa é a primeira imagem que tenho desse tipo de transporte alternativo gravada em minha memória. Obviamente que já havia os visto em filmes ou em fotos, mas sempre eram conduzidos por homens a pé. Explico. Muito populares na China e na Índia os rikishas são aqueles “carrinhos” que transportam duas ou até três pessoas. Nesses lugares são comumente puxados por um homem a pé à frente dos passageiros que viajam sentados em um banco, protegidos por uma capota. Geralmente esse banco e a capota estão apoiados sobre duas rodas de bicicletas, lembrando muito uma carroça. Descrevo-os para falar que por aqui são bem diferentes disso. Não me culpem por deixar a mente de vocês viajar a outros locais e criar imagens, mas é porque o descrito traz à tona de nossa imaginação o que sempre vimos nos filmes e fotos e servirá muito de exemplo. Continuando, os rikishas daqui já são diferentes no nome: rickshaws (no plural) ou rickshaw (singular). Estão mais para bicicletas de três rodas (seriam tricicletas?) que para uma carroça, como os outros. Existem basicamente dois modelos: um com duas rodas atrás e a outra à frente, onde os passageiros vão atrás de quem conduz. Outro, o inverso do primeiro, transporta os passageiros à frente de quem vai pedalando. Na região central de Londres, mais precisamente em Covent Garden, Leicester Square e Piccadilly Circus são muito numerosos.
Pois bem, como no início do texto, a primeira impressão que tive ao vê-los não foi das melhores. Bicicletas-geringonças guiadas por jovens mal vestidos, com aparência um pouco suja não passavam muita segurança. Todos reunidos esperando e oferecendo passeios a quem passava. Remeti diretamente meu pensamento aos perueiros de São Paulo. Não gostei. Nunca pensei em pegar um, mesmo porque era frio, eu tinha minha própria bicicleta e não via sentido algum em entrar num daqueles.
Muito bem, o tempo foi passando, o verão chegando e a quantidade de eventos nos quais eu trabalhava diminuindo. Comecei a ver os rickshaws com outros olhos a partir do momento que vi um anúncio na escola de inglês que oferecia a locação de um para trabalhar pelas ruas.
Pensei que poderia ser uma hipótese a se considerar haja visto que o volume de trabalho vinha decrescendo. Mas por um período parei com a idéia assim que fui aprovado numa entrevista para trabalhar numa rede de fast food francesa chamada Prèt a Manger. Excelente, pensei. Emprego fixo, dinheirinho garantido a cada semana, verão ou inverno. Porém, nunca cheguei, de fato a ir trabalhar numa loja da rede. Por precaução ou por aproveitar a demanda de mão de obra que existe por aqui, as empresas (não sei se todas) contratam, antes de haver efetivamente uma vaga aberta. Apesar de aprovado devo ter entrado numa espécie de fila, esperando a abertura de uma vaga numa loja nas proximidades de minha casa.
Cansei de esperar e fui atrás do rickshaw, literalmente. Peguei minha bicicleta numa tarde ensolarada e fui circular pela região que mencionei acima. Não demorou muito para encontrar diversos rickshaws e seus condutores maltrapilhos. O primeiro com quem conversei foi um japonês. Muito educado, mas falando um inglês muito ruim ele me disse que gostava do trabalho e que dava para tirar um bom dinheiro. “Você não tem chefe nem horário para trabalhar. Faz seu itinerário e cobra o quanto quiser, de acordo com a cara do cliente.” Interessante. Me passou o telefone do dono do seu rickshaw, um cara chamado Jean. Andei mais e conversei com outros. Todos lugavam com o mesmo Jean. Com um deles peguei o endereço direitinho. Tentei contato pelo telefone, mas caia na caixa postal. Era sexta-feira e acabei voltando para casa sem ter feito o contato. “Tento amanhã”. De fato funcionou e consegui falar com o tal de Jean. Fui ao local onde ele guarda os rickshaws, no subsolo de um hotel bem próximo ao centro. “Não há nenhum rickshaw disponível hoje. Volte na segunda entre 2 e 3 da tarde que conversamos melhor.” Ok. Na segunda lá estava eu, nada. Terça, novamente, na quarta disse à ele que me ligasse se na quinta houvesse algum disponível. Na sexta teve. O esquema: 85 pounds por semana para alugar, mais 120 pounds de depósito retornáveis, pagos uma única vez. Não há regras além das de trânsito que regem as bicicletas. “Tudo o que você ganhar será seu. Tem gente que faz até 400 pounds numa noite”. Incrível! Me dá logo essa bike que quero pedalar!

12

de
agosto

Rickshaw II Descobertas e Impressões

E assim foi feito. Peguei o rickshaw número 77, amarelo. Saí do subsolo do hotel, obviamente pegando uma subida e senti que a relação era bem reduzida. Ótimo, pois em subidas com passageiros não terei que fazer muita força. Eram cerca de quatro e meia da tarde, sol forte. Assim que saí do estacionamento do hotel e entrei na rua senti um outro fator que até então não havia passado pela minha cabeça: o vento. E como venta aqui nessa terra. E como o vento segura essa geringonça. A capota funciona quase como uma vela de barco. E quem disse que o vento sopra ao seu favor? Ok, sem problemas. Venço o vento. Estava nervoso, temeroso melhor dizendo. Não sabia dos lugares, não sabia dos nomes. Estava com o guia em mãos, mas nunca se sabe. Cheguei ao centro e comecei a circular. Onde fico? Como me porto? Tudo novo, tudo inédito. Excelente sensação. Tudo a se aprender e a se descobrir.
Ao dobrar uma esquina subindo em direção a Covent Garden um menino acompanhado de outra criança e duas senhoras, fez sinal para mim. Meus primeiros clientes! “Quanto para ir até Leicester Square?”, disseram.
Um branco. Que respondo? Onde está a Leicester Square em relação a este lugar mesmo? “Hummm… two pounds” respondi. Mas precisava de mais um rickshaw pois eram 4 passageiros. Imediatamente passou um garoto com seu rickshaw. Fiz sinal, ele parou e informei o preço que eu já havia cobrado. Ele fez uma cara estranha, como se dissesse “só isso? Porque?” mas parou e levou uma das senhoras e a menina. Ótimo pois foi só segui-lo. Era perto, e no fim das contas mionha passageira me deu seis pounds. É o que os ingleses sempre dão: tips ou, traduzindo, gorjetas.
Logo fiquei sabendo que é proibido ficar parado com o ricshaw em qualquer ponto da cidade. Um guarda me informou quando pediu para eu sair de onde estava parado. Questionei-o. “Mas porque não posso ficar estacionado? Não estou atrapalhando o trânsito de veículos nem de pedestres ou obstruindo sinais…” A resposta: “Os rickshaws são muito maiores que as bicicletas e por isso ocupam muito mais espaço que elas. Além disso, vocês não pagam nenhum tipo de taxa para trabalharem por aqui. Então, não têm direito de ficarem estacionados em nenhum lugar. Se o virmos parado novamente você será multado em 80 pounds.” Achei justo. Tudo com muita educação, peculiar dos policiais daqui. Agradeci-o pelas informações e saí. Porém, impossível ficar pedalando o tempo todo. Alguns lugares a polícia faz vista grossa e não fiscaliza. E assim seguiram minhas descobertas.
Nesse primeiro dia transportei ainda uma senhora indiana, uma senhora e um casal portugueses, uma moça inglesa e mais duas moças e um menino russos. Fiz 35 pounds no dia, que terminei cedo, lá pelas 21h. Estava cansado. O trabalho é pesado. Minha impressão sobre os caras maltrapilhos estava mudando.
Sábado foi um dia terrível. Estacionei o rickshaw ao final da ponte de Westminster, quase na frente do Big Ben. O fluxo de pedestres naquele local é enorme, indo e voltando da London Eye e do London Aquarium para o Big Ben e Parliament House. Achei impossível ficar por ali e não pegar nenhum cliente. Dito e feito. Em dez minutos fui abordado por 5 ingleses de meia idade, um tanto bêbados. “Quanto você cobra para nos levar até Fulham?”. Era longe. Disse 50 pounds; mas precisaria de outro rickshaw. E apareceu. Nessa hora errei. Não deixei muito claro que eram 50 pounds cada um. Ao final da corrida nos pagaram 50 e só. Eu e o outro cara reclamamos: faltam 50. E aí tive a pior experiência como “rider” (como dizem por aqui). Os passageiros começaram a se alterar (lembrem que estavam bêbados), a gritar, armaram o maior barraco. E você, bom da cabeça que é sabe: não é possível discutir ou argumentar com bêbados. E fiquei sabendo aqui: ainda mais ingleses. Ainda mais em inglês. Acabei saindo do local e trouxe o outro cara comigo, que insistia, em vão, receber os outros 50 pounds.
Para completar o dia peguei dois moleques de seus 17 ou 18 anos que acompanhavam duas meninas da mesma idade e pegaram um rickshaw que ia na minha frente. Soltaram de cara a frase célebre “Siga aquele rickshaw!” Falei com o outro rider, que conduzia as meninas o que era aquilo e ele disse que apenas íamos dar uma volta contornando as praças Licester Square e Trafalgar Square e combinou o valor em 5 pounds por pessoa. Num semáforo um táxi me fechou pois parou para pegar passageiros, o que me fez perder de vista o outro rickshaw. Porém continuei com a volta programada. Na subida, já retornando à Licester Square, em meio ao trânsito parado, um dos moleques falou: “você é muito lento!” Nesse instante ambos saltaram do rickshaw e correram, se misturando à multidão na praça. Não pagaram. Dei a volta o mais depressa que pude e cheguei ao outro lado da praça, onde os havia pego no início da volta e que por coincidência ou não era o mesmo sentido para o qual eles haviam corrido. Óbvio, dei de cara com os dois. Saltei do rickshaw e por uns dez segundos corri atrás dos dois, assustados, em meio à multidão na praça. Estava quase pegando um quando pensei que havia deixado rickshaw, dinheiro, tudo abandonado no meio da rua. Parei, respirei. Voltei ao rickshaw e pedalei até a garagem. Era hora de parar naquele dia.

12

de
agosto

Rickshaw III Epílogo

Uma mistura de frustração, descontentamento e cansaço se instalaram em mim. No português claro, no trabalho com o rickshaw, o buraco é mais embaixo. Não se ganha dinheiro trabalhando de dia e transportando turistas de um ponto turístico a outro. Sim isso acontece, mas os altos ganhos que os riders tiram semanalmente vêm dos trabalho nas madrugadas. Havia feito pesquisa dos locais mais interessantes, tinha em meu rickshaw uma coleção enorme de panfletos de pontos turísticos. Estava pronto para apresentar a quem é de fora algumas atrações de Londres e com isso ser uma espécie de guia. Uma forma de ganhar mais gorjetas, pedalar e conhecer ainda mais a cidade.
Mas infelizmente não era nada disso. O trabalho dos caras maltrapilhos é pesado e digno. Eles precisam ser bons para conquistar os clientes e levá-los onde querem. Precisam ter força, dominar o inglês, ,etc.. Tenho tudo isso, porém, não gostei de transportar ingleses bêbados para estações de metrô, de trabalhar de madrugada. O modo de vida dos riders é diferente do meu. Têm outra idade, estão curtindo a noite, não trabalhando. Simplesmente não me adaptei.
Nada que me faça mal. Como raciocinei no começo: “se não me adaptar devolvo o ‘brinquedo’ e toco a vida para fazer outra coisa que tenha mais a ver comigo.” That’s it. Lets go to see what the life give to me!

12

de
agosto

Nova semana, nova Amiga

Acho que há muito tempo não me sentia assim. É verdade que com a chegada da Ju as cores também voltaram, porém, acho que depois do roubo da minha bicicleta as coisas não andaram muito bem.

Como viram no último post não tive uma semana muito legal. O tédio e o desânimo se abateram sobre este que lhes escreve. Porém, a sexta feira trouxe chuvas pesadíssimas. Tempestades pela manhã que inundaram diversos locais pela Inglaterra toda. Trouxe também a mudança. Assim como após a tempestade da manhã o sol brilhou implacável no céu azul da cidade, como se o dia simplesmente houvesse amanhecido daquele jeito, meu corpo já não sucumbia mais ao tédio e à letargia vividos nos quatro últimos dias.

A Ju, Sempre Minha Ju, me deu de presente: um dia de folga. Não foi à escola. Levantamos e saímos, no tempo enfezado, mesmo. Fomos para onde ainda não havíamos estado: Natural History Museum, Tate Modern. Maravilhosos. Vimos coisas interessantíssimas: no Museu de História Natural sou suspeito para falar. Biólogo que sou, desde os dinossauros até os mamíferos tudo é absolutamente interessante, intrigante. Tudo ali é didático e por isso a grande quantidade de crianças que visitam. Mesmo o que é ou foi complicado de explicar é, lá, fácil de entender. Iguais à ala que visitamos existem mais três ou quatro, porém, apenas essa nos tomou quatro ou cinco horas. Como ver tudo num dia? Voltaremos, aproveitando que a entrada é sempre gratuita!

Mudamos do conhecimento mais tradicional para o conhecimento social, mixado com arte, design e questões sociais. Saímos lá pelas duas da tarde do MHN, comemos uma coisa qualquer de Doritos com chá gelado e fomos ao Tate Modern, um museu de arte contemporânea, que ficamos sabendo depois, é o maior do mundo. Como no outro, visitamos uma pequena parte: uma exposição intitulada Global Cities que nos tomou todas as atenções e deixamos para visitar o restante do museu outra hora. Questões urbanísticas, sociais, culturais, de saúde, design, etc., originadas de um tema central relativo à taxa de crescimento e densidade demográfica de 10 cidades no mundo (Cairo, Istambul, Johanesburgo, Los Angeles, Cidade do México, Mumbai, São Paulo, Xangai e Tóquio) expostas de uma maneira interessantíssima e linda nos fizeram matar um pouquinho a saudade de São Paulo e vê-la (a cidade) pela primeira vez, sob aspectos muito interessantes, daqui. Confesso que me decepcionei um pouco pela cidade que tanto amo. Acho que começo a enxergar as coisas de uma maneira diferente, não sei.

De qualquer maneira, ao voltarmos para casa decidimos uma coisa: tiraríamos o fim de semana para procurarmos e encontrarmos uma bicicleta para mim. A princípio não estava muito favorável por causa do dinheiro, mas a Ju argumentou bem sobre a economia que uma bike nos traz, a época do ano propícia ao pedal e me convenceu num convencimento conveniente. Íamos, como fomos, sábado ao mercado da Portobelo Road e no domingo no Brick Lane Market. Nada interessante no sábado, apenas um delicioso brownie e um honesto (parafraseando um querido amigo) café expresso, como há muito não tomamos. O mercado da Portobelo Road, que dizem ser um dos maiores da Europa, possui coisas mais finas que no mercado da Brick Lane. Antiguidades, roupas, muita coisa, mas com certa qualidade. Na Brick Lane a coisa já é mais despojada e, acho que até já falei sobre isso, vende-se até coisas roubadas por lá.

Assim, domingo cedo estávamos na Brick Lane. Demos uma volta procurando em cada cantinho. Vi coisas ruins caras e baratas, coisas boas caras e coisas boas baratas e interessantes, porém suspeitas. Acho que eram roubadas e deixei de comprar por 60 pounds uma bicicleta híbrida (como existem muitas por aqui) de boa marca e muita qualidade. Levíssima, provavelmente, como foram as mãos que a levaram até o mercado. A tentação foi grande, mas frente ao olhar confuso da Ju para mim, quase como uma reprovação cercada de dúvida, desisti.

Estávamos voltando, já após percorrer todas as entranhas do mercado (que também é muito grande) quando entramos, como última alternativa, num tipo de uma lojinha, uma garagem, não sei o que é aquilo. Um depósito, talvez. Sei que em meio a móveis velhos, lâmpadas de mercúrio queimadas, madeiras velhas, poeira, pneus e toda a sorte de cacarecos havia algumas bicicletas. Algumas boas, outras muito boas, mas bem caras e uma, que estava atrás de uns móveis e chamou a atenção da Ju. “E essa aqui fá?” Eu e minha nuvenzinha preta: “Amor essa é uma Trek, custa muito caro, vambora.” Pensei na minha frase e vi o quão idiota era. Custava perguntar? E era barata, na verdade era exatamente o que eu queria gastar, 200 pounds, numa bike 2006, muito bem conservada, que valia nova, 750 - 800 pounds.

E foi isso. Voltamos para casa, eu feliz da vida, com uma folder bike, ou bike dobrável, excelente, num modelo que ainda não havia visto, mas que superava o modelo que eu estava namorando, mas nunca encontrei usado à venda, a famosa Bromptom.

Como dizia, acho que há muito tempo não me sentia assim. Pude fazer coisas que me dão muito prazer, desmontar, limpar peça por peça, re-montar e regular a bicicletinha toda e o mais legal, preparar-me para uma semana melhor.E quero deixar uma coisa registrada, um agradecimento, na verdade. Não pela bike, mas pelo gesto. Não por educação, mas por amor. À minha Ju, linda, que sempre me apóia, me incentiva e me dá força, sempre. Te amo muito. Valeu!

12

de
agosto

Tédio com um T

Procuro por coisas para fazer. Não as encontro em lugar algum. A rotina completamente vazia, oca, faz com que as horas se neguem a passar. Nem os gritos dissonantes de Olga do Toy Dolls no som me divertem ou entretém.

A agonia não é simples de ser vencida. A cada minuto, que parece durar cinco, sinto-me mais afundado, mais imerso num tipo de lodo, que impede meus movimentos, torna-os lentos. Entra pelas minhas narinas, boca. Chega ao meu cérebro e faz o mesmo com meus pensamentos. Lerdos, pesados. Não vão muito longe, têm preguiça. Como transpor isso?

Livros, televisão com cinco canais. Língua que não domino, pessoas desinteressadas em construir amizades, calotes.

A inexistência de um canal de comunicação – leia-se internet – é perturbadora. Fico imaginando se a tivesse por aqui o que poderia fazer: comunicar-me diretamente com meus verdadeiros amigos e família, pesquisar agências de turismo para tentar um negócio com um amigo do Brasil, pesquisar locais para se comprar uma bicicleta usada por aqui, etc..

Que merda. Estou no meio de um círculo vicioso, no olho do furacão do tédio, onde nada acontece, nada muda, nada surpreende, nada interessa, nada.

Cada um por aqui te sua vida. Não sei se por excesso de respeito, não sei se por egoísmo. Adoro minha flat mate, mas nossa convivência restringe-se às paredes do apartamento. Não transcende. Cairia bem um passeio com alguém. Ela, sendo uma pessoa muito divertida, seria ótimo. Mas se despediu e saiu.

Até mesmo essa minha posição letárgica, sentindo-me vítima das confluências da vida. Como transformo isso? O que fazia no Brasil que não posso fazer por aqui? Sabia da importância dos meus amigos, mas não imaginei que chegasse tão longe. Como é importante termos outras pessoas com quem falarmos, com quem até mesmo discordarmos de suas idéias, com quem compartilharmos sentimentos.

A sensação de estar sozinho se abrandou com a chegada da Ju, claro. É importantíssimo tê-la comigo. Ela me completa e é cúmplice. Me apóia, me dá forças. Esta semana, porém, duas coisas coincidiram: o término do meu curso e o início de um outro curso que ela resolveu fazer. Sai às 11 da manhã de casa e retorna lá pelas 21h. Voltei a sentir-me quando ela não estava por aqui ainda. Um nó na garganta constante, agonia, raiva, tédio, desânimo.

Acho que sou muito dependente de outras pessoas. Talvez precise aprender a me virar um pouco melhor sozinho. Mas é bem difícil e tem outra coisa: não gosto de estar sozinho. Será que isso é tão absurdo assim? Tenho esse direito, né?

12

de
agosto

Things to do in London when you are not dead I

Nunca me conformei com a idéia de alguém com formação universitária, muitas vezes com pós-graduação, etc, sair do Brasil para ganhar a vida realizando serviços que em qualquer hipótese realizaria na terra natal.

O mundo realmente dá voltas e aqui estou eu. Exatamente o descrito acima. Que coisa incrível. Nunca tinha atinado, nunca tinha aberto qualquer canal em relação a esse assunto para que o aceitasse numa boa… até vir para cá, ou melhor, até surgir e abraçar a idéia de.

Realizar serviços como garçon, barman, vendedor de bebidas, etc., como vocês que acompanham o blog já sabem, tem possibilitado contatos, mesmo que breves, com culturas com as quais nunca, nem ao menos almejei ter; aprender e praticar o inglês e conhecer lugares incríveis, dos quais a maioria, talvez raramente tivesse a oportunidade de conhecer.

Vocês já sabem do estádio de futebol e do estádio de rúgbi, ambos impecáveis com assentos numerados, gramados perfeitos, bares e lanchonetes por todos os cantos e paz entre os torcedores; mas alguns outros locais e eventos não devem ser deixados de ser descritos e relembrados.

Por ordem cronológica, o primeiro destes locais foi o Royal Albert Hall. Um tipo de teatro, antigo, construído no século XIX, de frente para o Hyde Park, numa das regiões mais chiques da cidade (pelo menos do que conheci até agora). Um local onde ocorrem óperas e espetáculos mais refinados. Uma construção imponente, de tijolinhos de barro (como quase tudo por aqui), circular, toda decorada com vitrais, estátuas, frases em latim, uma maravilha de lugar, parece até um castelo.

Como em todo o trabalho, chega-se ao local sem se ter idéia do que se fará: se o serviço será o de servir pratos, bebidas, ficar na cozinha auxiliando chefs, lavando louça, ou qualquer outra atividade que não se exija um Q.I. muito alto.

Nesse dia, no Royal Albert Hall, serviríamos pratos. Um frio na barriga por causa de um pensamento: “num local chique como esse, imagine se derrubo comida em cima de um convidado? E se não entendo o que pedem. O que farei?” O medo, não é, obviamente, pelas conseqüências de um acidente ou de uma incompreensão. Também não é pela repreensão que sofreria pelos chefes (que na maioria das vezes são pessoas com menos instrução e educação que eu e, talvez por esse motivo são extremamente estúpidos) por causa do ocorrido. O receio está mais ligado a uma frustração decorrente da falta de capacidade de uma simples comunicação com um convidado ou da falta de prática em servir a comida. Porém, um alívio: o esquema da noite é servir pratos prontos, já preparados e decorados pelos chefs. Para facilitar ainda mais, todo o time de garçons foi dividido em equipes, cada uma com um “team leader”, uma pessoa já experiente. Basta segui-lo e fazer o que ele faz. Então, é só aproveitar para conhecer o local. Naquela noite, o jantar servido a um grupo seleto de convidados, tinha, provavelmente o caráter de amparo social. Precedia o jantar um espetáculo musical com gaitas de fole, que eu nunca havia visto ou ouvido ao vivo, provavelmente, este aberto ao grande público. Fiquei sabendo que cada pessoa que servimos nesse jantar pagou a bagatela de 500 pounds!

Ao adentrar à sala de espetáculos, propriamente, fiquei maravilhado: as cerca de 30 mesas redondas, cada qual para 10 pessoas estavam dispostas na frente do palco. O palco e as mesas ocupavam uma área circular, bem no centro de toda a sala e eram cercados por três andares de camarotes, alguns fechados com cortinas também vermelhas, outros abertos, que possibilitavam ver um “quase nada” da decoração, com papel de paredes com apliques em dourado e abajures suntuosos. Estes, por sua vez eram cercados por cadeiras estofadas de couro vermelho, localizadas no último andar.

A iluminação do ambiente também era espetacular, com efeitos visuais (inclusive algumas propagandas de prováveis patrocinadores ou apoiadores) projetados no altíssimo teto da sala e em anteparos circulares suspensos por cabos de aço.

A quantidade de talheres, taças e adereços em cada mesa era uma coisa inimaginável, ao menos para quem não está acostumado com toda essa pomposidade. Tudo muito chique, muito bonito de se ver.

Realizamos os atendimentos às mesas durante cerca de duas horas e ao terminarmos fomos dispensados. Pensei que um dos gerentes havia falado que podíamos assistir ao show que iniciaria após o término da refeição, mas me enganei. Não pudemos ver o show, mas paciência. Valeu por ter visto os ensaios e conhecido este lugar.

Fui também a um espaço de reuniões e jantares chamado Stattioneers Hall. Acho que esse local não é só um espaço, mas é a sede de um tipo de ordem, um ramo da maçonaria, sei lá. Um local próximo à Catedral de St. Paul, o bairro onde Jack, o estripador atuava. Típico de filmes: vielas muito estreitas, becos, ruas tortas, fáceis para se perder. As “moças” vítimas do Jack também facilitaram as coisas para ele ao estarem por ali. Digo o Stationeers Hall deve ser a sede de alguma ordem, pois nas paredes, a maioria revestida por madeira escura (provavelmente extraída da alguma colônia britânica) repousam diversos retratos a óleo de homens que fizeram parte da história daquela ordem, ou local. Uma infinidade de brasões, escudos, bandeiras hasteadas e listas com nomes e datas importantes de sua história (a data mais antiga que percebi foi a de mil, quinhentos e alguma coisa) também compõem a decoração. Fui duas vezes neste mesmo local. Na primeira trabalhei cerca de 15 horas! Atendi a dois eventos: o primeiro, de dia foi uma rodada de apresentações da indústria de embalagens promovida pela Universidade de Cambridge. O segundo, à noite, um jantar luxuosíssimo, que seguia o mesmo padrão de servir que no Royal Albert Hall, porém, neste cada garçon era responsável por sete convidados. Fui meio desajeitado ao retirar os pratos dos convidados. Uma tensão, preocupado em não deixar cair garfos e facas sujas em cima de ninguém, mas tudo tranqüilo. A outra ocasião em que trabalhei por lá foi um almoço, nos mesmos padrões do jantar, porém, não servi comida, mas bebidas. Achei melhor, não precisava tirar os copos nem pratos. Era só saber servir a água, o vinho branco, o vinho tinto e o vinho do porto em suas respectivas taças, que tudo ocorria bem.

12

de
agosto

Things to do in London When You are not Dead II

Os trabalhos estão se diversificando por aqui. À medida em que meu inglês melhora tenho condições de exercer funções, digamos, de mais responsabilidade.

Continuando a série “lugares interessantes que trabalhei” acho legal falar sobre um tal de Olympia Hall e o evento que participei. O local é um grande salão de exposições sem muita coisa diferente. A particularidade desse, no entanto é que todo o salão parecia ser ocupado por uma antiga fábrica que pela modernidade, pelas economias deve ter ido à banca rota.

O evento, em si, era o interessante: a abertura de um salão de “arte fina” (fine art) e antiguidades. Gosto bastante de antiguidades, porém, acho que por ser de um país com cerca de “500 anos de idade” meus conceitos de antiguidade são bem diferente dos daqui, ao que parece. Estou acostumado a ir à feira de antiguidades do Bairro do Bexiga, ou à Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, ambas em São Paulo. Minha casa tem algumas coisinhas antigas: um Buffet da década de 60, uma geladeira da década de 50 e alguns poucos enfeites. Porém, antiguidade por aqui, vou falar para vocês… é coisa muito, muito antiga.

Para quem conhece, por favor esqueça Bexiga, Benedito Calixto. Esqueça até mesmo a feirinha do MASP. Não temos isso no Brasil (pelo menos que eu saiba). Acredito que os objetos mais novos expostos e, conseqüentemente, à venda nesse evento eram da década de 20 do século XX. Porém havia muita coisa, tais como móveis, aparelhos de medições (barômetros, principalmente), relógios, caixas de madeira de todos os tamanhos, jóias, cristais, prata, etc., dos séculos XIX, XVIII e XVII. Porém o que me chamou muito a atenção foram antiguidades medievais, como elmos, escudos e espadas. Inimaginável. Fiquei até emocionado de ver aquelas peças de guerreiros à La Coração Valente e Connan, o Bárbaro.

Os objetos de arte também eram coisas maravilhosas. Na maioria esculturas, vasos e objetos de design como móveis e jóias também participavam do evento.

Ué, mas por que mesmo escrevi sobre isso? Ah, sim para falar que trabalhei servindo champanhe aos convidados daquela noite. Nem lembrava disso.

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