4
de
agosto
Choque de realidade
“Você está mais calmo?” perguntam uns… “Como você está amargo” dizem outros.
Realmente tenho andado, digamos, um tanto quanto crítico ultimamente. Não tenho visto perspectiva de melhoras para a situação em que estamos vivendo nesse país. Talvez se os investimentos na educação crescessem tanto quanto os números divulgados sobre a economia houvesse uma luz no fim do túnel. Agoara há, mas é o farol do trem vindo em direção contrária.
Todos esses resultados positivos trazidos pelos números da economia na verdade não refletem nem de longe a qualidade de vida de uma população… nem sua felicidade. Há índices que medem a felicidade de um povo levando em consideração os recursos naturais disponíveis, o grau de sustentabilidade com que são explorados, a expectativa de vida etc.. Dê uma olhada nesse mapa do Happy Planet Index da ONG britânica NEF, que tem como slogan “Economia como se as pessoas e o planeta importassem”. O site todo é bem legal.
Por lá dá para ver que talvez não por coincidência, os países mais “ricos” são os mais pobres em felicidade, com exceção do continente africano onde, acredito, os dados nem sejam confiáveis.
Como exemplo de minha indignação com essa falta de educação generalizada cito o ônibus, na verdade o motorista e a cobradora do veículo, o qual me transportou hoje do metrô Conceição ao Parque Nabuco, o qual sou administrador. O motorista dirigia feito um alucinado. Que eu tenha visto passou em dois semáforos fechados. Perdi a conta de quantas vezes usou a buzina. Dirigiu dando trancos que fariam certamente pessoas que estivessem de pé caírem (pego essa condução no contra-fluxo e pouca gente é trasportada). A cobradora - profissão, aliás a qual não vejo função alguma aqui na cidade de São Paulo, pois 99% (ou perto disso) das pessoas utilizam um cartão pré pago (o Bilhete Único) para pagarem a passagem, que desbloqueia a catraca do ônibus automaticamente, sem qualquer interferência do cobrador - conversava aos berros com o alucinado motorista. O ônibus em si, provavelmente com manutenção inexistente ou quase isso fazia um barulho ensurdecedor de coisas batendo, chacoalhando, vibrando etc.. Não conseguia ouvir a música em meus fones de ouvido!
A falta de educação está em tudo neste exemplo. Desde o dono da empresa de ônibus, passando pelas pessoas do poder público que redigiram o contrato de licitação para essa linha, até o motorista e a cobradora sem qualquer preparo ou capacitação. Passa também pelas subprefeituras e seus contratos com empresas mal (e mau) geridas que deveriam recapear e sinalizar as ruas. Passa pela falta de fiscalização do trânsito em regiões mais afastadas dos centros. Está nas pessoas transportadas que se calam e viram as costas para situações como esta. E há coisas absurdamente piores que isso aqui e em todos os cantos do país a todo instante.
Fiquei imaginando um dinamarquês andando num ônibus-carroça desses com sua família em 2014 indo assistir a um jogo da copa no Itaquerão! O que passaria pela cabeça dele(s)? Lembro-me sempre do comentário de uma amiga alemã sobre os ônibus de Edimburgo: “esses ônibus dessa cidade parecem carroças! O barulho que fazem é um absurdo. Lá em minha cidade é até difícil ouvirmos o barulho dos motores.” Choque de realidades total! Bem, será que preciso descrever o estado dos ônibus de Edimburgo? Melhor deixar para lá e seguirmos aqui pelo nosso túnel.

